Em 24 horas os Estados Unidos puseram o Brasil na lista dos não amigáveis e ameaçaram tarifa de 25%, a China reconheceu o país livre de aftosa e destravou a carne, um estudo apontou quase R$ 1 trilhão jogado na conta de luz, a emenda de Mário Frias caiu no colo do STF e o selo de terrorista do PCC e do CV entra em vigor na sexta.
Marco Rubio colocou o Brasil na lista dos países não amigáveis aos Estados Unidos, ao lado de Cuba, Nicarágua e Venezuela, um dia depois de Washington ameaçar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O secretário de Estado americano falou numa audiência no Congresso dos EUA nesta terça (2/6) e, ao listar os aliados de Washington no continente, deixou o Brasil de fora, justificando que o país vive um ciclo eleitoral. A fala veio na esteira da recomendação do escritório de comércio americano de taxar uma lista ampla de produtos brasileiros em 25%, num documento que, segundo a imprensa, cita decisões do STF e o ministro Dias Toffoli. No Brasil, o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro, que semanas atrás foi a Washington pedir o selo de terrorista para o PCC e o Comando Vermelho, mandou agora uma carta a Rubio pedindo que os Estados Unidos poupem o país do novo tarifaço. Lula chamou Flávio de traidor, enquanto os governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, ambos de olho em 2026, jogaram a culpa no próprio Lula. O vice Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda Dario Durigan reagiram defendendo o Pix como patrimônio nacional e acusando a família Bolsonaro de remar contra a tecnologia do próprio país. A régua deste canal corta para os dois lados, como sempre. Quem foi a Washington alimentar a fogueira contra o Brasil e agora escreve carta pedindo para não se queimar está fazendo política externa com a casa dos outros, e quem transforma o tapa do governo americano em palanque de vitimismo eleitoral também está cuidando da campanha, não do país. No fim da linha, quem paga o tarifaço é o trabalhador da fábrica e o produtor que exporta, não quem posa para a foto. (Poder360)
Igreja Lagoinha e Banco Master, a teia que liga dízimos, fintech e a maior fraude bancária do país. Um dossiê novo no site puxa um fio pouco contado do caso Master. O pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi preso na Operação Compliance Zero, e extratos divulgados pela Folha de S.Paulo apontam que ele moveu mais de R$ 40 milhões para a unidade Belvedere da Lagoinha. No mesmo ecossistema nasceu a Clava Forte, o tal banco do Reino que operava sem autorização do Banco Central e teve o CNPJ suspenso pela Receita Federal. E a CPMI que deveria abrir tudo isso é presidida por um senador do Centrão que carimbou milhões em emendas numa fundação ligada à igreja e que segura os pedidos de quebra de sigilo. A régua não tem partido. A esquerda usa a denúncia como arma e ao mesmo tempo conduz uma CPMI enviesada, o Centrão blinda a igreja com a mão que distribui emenda, e o bolsonarismo aparece colado a um ambiente religioso que abriu banco sem licença. No meio de tudo, duas vítimas reais, o aposentado lesado e o fiel de boa-fé. Vorcaro e Zettel estão presos em processos em curso, e André Valadão nega tudo e teve o nome encaminhado para investigação, não para indiciamento. Leia a análise completa no site. (Paciência Tem Limite!)
A China reconheceu todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação e destravou a entrada de mais carne bovina e suína no maior mercado da Ásia. O anúncio saiu nesta terça (2/6), durante visita do chanceler Mauro Vieira a Pequim, e fecha mais de vinte anos de negociação sanitária. Na prática, abre caminho para itens que estavam barrados, como carne com osso e miúdos, num momento em que o agro brasileiro já vendeu mais de US$ 50 bilhões para os chineses em 2025. Aqui a régua reconhece o acerto sem fazer média. Avanço sanitário conquistado a duras penas por técnicos e diplomatas é vitória do Brasil, não de um governo, e o produtor que segurou a safra merece a porteira aberta. O que não dá é engolir a propaganda que vem junto. Enquanto o Planalto se prepara para transformar o selo chinês em troféu de campanha, o mesmo país que comemora a abertura ao oriente leva uma porta na cara do ocidente no mesmo dia, prova de que apostar todas as fichas num parceiro só é receita de vulnerabilidade. Diversificar mercado é estratégia de país sério. Confundir um marco sanitário com economia arrumada é o atalho de quem está em campanha. (Agência Brasil)
Um estudo apontou que decisões do governo Lula e do Congresso entre 2023 e 2026 vão jogar quase R$ 1 trilhão na conta de luz do brasileiro até 2050. O levantamento é da Frente Nacional dos Consumidores de Energia, saiu no fim de semana e ganhou força com reportagem da Folha de S.Paulo. A conta chega a R$ 984,8 bilhões e será paga aos poucos por residências, comércio e indústria, com o consumidor de baixa renda do Cadastro Único de fora. O maior peso vem do leilão de reserva de capacidade, perto de R$ 546 bilhões, seguido dos jabutis das eólicas offshore, cerca de R$ 197 bilhões que entraram depois que o Congresso derrubou um veto de Lula. O Ministério de Minas e Energia contesta a metodologia e fala em reforma e modernização do setor. A régua aqui não poupa ninguém. O jabuti que encarece a luz por trinta anos não tem assinatura de um partido só, tem a digital do Planalto que negocia e a do Congresso que insere emenda em troca de apoio. É o sistema passando o cartão e deixando a fatura para o brasileiro que ainda nem nasceu. Energia cara não é fenômeno climático, é decisão de gente com nome e cargo. (Poder360)

ONG ligada ao “Dark Horse” pagou advogado de Frias com verba de emenda. Foto por Roberto Castro/Ministério do Turismo.
Uma emenda de R$ 1 milhão do deputado Mário Frias virou caso no STF depois que parte do dinheiro foi parar no advogado pessoal do parlamentar e em material didático que nunca chegou ao destino. A reportagem é do Estadão e do Metrópoles, e mostra que o Instituto Conhecer Brasil, ligado à produtora do filme Dark Horse sobre Jair Bolsonaro, recebeu a verba para um projeto de empreendedorismo em Pirassununga que, segundo responsáveis locais, não saiu do papel. Dos repasses, R$ 80 mil foram para uma empresa do advogado que defende Frias em ações na Justiça, e cerca de R$ 400 mil para kits que a ponta afirma não ter recebido. O ministro Flávio Dino conduz a apuração no Supremo, e o caso se conecta ao escândalo do Banco Master, já que o financiamento do filme aparece em diálogos atribuídos a Flávio Bolsonaro e ao banqueiro preso Daniel Vorcaro. Frias nega irregularidade, cita pareceres da Câmara e está em viagem ao exterior. A régua vale igual para o lado de cá. Apuração não é condenação, e ninguém aqui vai antecipar sentença sobre o deputado, que é investigado e não réu neste caso. Só que triangular dinheiro público por uma ONG para abastecer um filme de propaganda política, enquanto se vende como cruzado anticorrupção, é o mesmo método que esta newsletter mapeia do Centrão ao bolsonarismo sem mudar o tom. (Poder360 e Estadão)
O selo de terrorista que os Estados Unidos colaram no PCC e no Comando Vermelho entra em vigor nesta sexta (5/6), e o custo de uma decisão de Washington vai sobrar para o bolso do brasileiro. O ex-ministro Ricardo Lewandowski, hoje consultor da iniciativa privada, avisou no Fórum de Lisboa que o setor financeiro terá de se adequar e que o chamado custo Brasil vai subir, com bancos e empresas obrigados a reforçar compliance para não cair nas sanções americanas. A conta dessa burocracia, na ponta, chega no preço da mercadoria. No STF, o ministro Flávio Dino já fixou em liminar que empresas autorizadas a operar no Brasil não podem cumprir sanção estrangeira de forma automática sem que ela passe pela lei brasileira, um freio à entrada da regra dos EUA por cima da soberania nacional. A régua deste canal é a mesma desde que o tema surgiu. Carimbo importado não prende um chefe de facção sequer dentro do Brasil, encarece a vida de quem trabalha, dá ao bolsonarismo um palanque de soberania ferida e ao governo uma desculpa pronta. Facção se enfrenta com inteligência, fronteira e asfixia do dinheiro, tarefa que é nossa e não do Salão Oval. (Correio Braziliense e CNN Brasil)

