Polícia Federal cumpre busca e apreensão em casa do senador Ciro Nogueira e aponta mesada de R$ 300 mil a R$ 500 mil paga por Daniel Vorcaro. A quinta fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira pela manhã, levou agentes ao endereço do presidente nacional do Progressistas no Lago Sul, em Brasília, com dez mandados de busca e apreensão e uma prisão temporária expedidos pelo ministro André Mendonça, do STF. Caíram também o irmão do senador, Raimundo Neto Nogueira Lima, e o primo do banqueiro do Master, Felipe Cançado Vorcaro, apontado como operador financeiro do esquema. A decisão judicial relata pagamentos mensais de R$ 300 mil que teriam evoluído para R$ 500 mil, viagens internacionais custeadas, imóvel de alto padrão cedido por tempo indeterminado e a compra de participação societária avaliada em R$ 13 milhões pelo preço de R$ 1 milhão. O ponto mais incômodo do despacho de Mendonça é a Emenda 11 à PEC 65/2023, que ampliaria a cobertura do FGC de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Segundo a investigação, o texto saiu da assessoria do Banco Master, foi entregue em envelope endereçado a "Ciro" na residência do senador e reproduzido integralmente no Congresso. O canal vai esperar a defesa apresentar versão. Mas vale o registro. Esta newsletter cobriu, na edição #0008, o voo de Ciro Nogueira e Hugo Motta no jato do dono do "tigrinho" voltando de paraíso fiscal sem raio-X. O presidente do PP, mesma figura citada como nome dos sonhos para vice de Flávio Bolsonaro pelo bolsonarismo, agora é alvo formal da PF por receber mesada de banqueiro preso desde março. Não cabe a esta newsletter declarar culpado quem ainda não foi condenado. Cabe sim registrar que o sistema do Centrão, que se vende como direita confiável em ano eleitoral, está sendo desmontado peça por peça pelo próprio inquérito do caso Master, e o eleitor que ainda acredita na chapa "Flávio com o Centrão para salvar o Brasil" precisa olhar com calma para o que está em cima da mesa. (Metrópoles)
Alessandro Vieira anuncia pedido de suspeição de Nunes Marques na ação da CPI do Master após operação contra Ciro Nogueira. Horas depois de a PF entrar na casa do presidente do PP, o senador relator da CPI do Crime Organizado e o senador Eduardo Girão protocolaram pedido conjunto para tirar o ministro Kassio Nunes Marques da relatoria do mandado de segurança que discute a abertura da CPI do Banco Master no Senado. A justificativa é direta. Nunes Marques, indicado ao Supremo no governo Bolsonaro, mantém relação pública e fotografada com Ciro Nogueira, e até fotos das duas figuras juntas na CCJ do Senado em agosto de 2025 já circulavam quando o caso Master ainda era especulação de mercado. O canal mantém a régua das edições anteriores. O problema institucional que esta newsletter vem registrando desde a estreia não é de uma ação isolada nem de um ministro específico. É o método. Quem entrou no Supremo sob indicação política mantém amizade pública com cacique de partido fisiológico e agora vai relatar o caso que pode abrir CPI sobre o banqueiro que pagava mesada para esse mesmo cacique. O sistema está se autoinvestigando entre amigos próximos, e o eleitor brasileiro está sendo convidado a aceitar a coreografia como justiça. Vieira faz bem em pedir afastamento. Cabe agora a Davi Alcolumbre e ao plenário do Supremo decidir se vão entregar mais uma camada de constrangimento ou tratar o pedido com a seriedade que ele merece. (Gazeta do Povo)
Lula encerra reunião de três horas com Trump na Casa Branca e os dois prometem acordo sobre tarifas em 30 dias. O encontro previsto na edição #0012 desta newsletter aconteceu nesta quinta-feira ao meio-dia em Washington, durou três horas, incluiu almoço oficial e terminou sem coletiva conjunta. Em postagem nas redes sociais, Trump chamou Lula de "presidente dinâmico", classificou a reunião como "muito produtiva" e confirmou agenda de equipes técnicas para discutir comércio. Lula, por sua vez, propôs um grupo de trabalho com prazo de 30 dias para destravar tarifas, falou em terras raras, em minerais críticos e na Seção 301, que segue aberta contra o Brasil. A leitura sóbria é que pegar o aperto de mão custa caro nas duas pontas. Lula passou todo 2025 transformando Trump em palanque doméstico, retirou credenciais de agente americano em retaliação ao caso Ramagem em Orlando e agora abre concessões sobre balança comercial e mineração estratégica. Trump, por sua vez, tinha alimentado por meses a narrativa de que o Brasil "perseguia" Bolsonaro como justificativa do tarifaço, e agora classifica o petista como "muito dinâmico" para fechar negócio com terras raras. Os dois polos vendem soberania quando convém e abrem mão dela quando o palanque exige. Vale a observação de quem está fora dos dois blocos. Em 30 dias se vê o que sai do papel. (Metrópoles)
STF começa a julgar nesta sexta o referendo da decisão de Edson Fachin que liberou o GDF a usar bens próprios para socorrer o BRB. O plenário virtual do Supremo recebe entre os dias 8 e 15 deste mês o referendo da liminar concedida pelo presidente da Corte na semana passada, que suspendeu os efeitos da decisão do TJDFT e destravou a aplicação da Lei Distrital 7.845/2026, peça central da operação de socorro ao Banco de Brasília depois do rombo do Master. Em conversa com jornalistas na segunda-feira, Fachin disse ter agido para evitar "danos irreversíveis" ao banco e aos correntistas, e submeteu a decisão ao colegiado. O canal não vai cair na conversa fácil de "salvar o BRB versus deixar quebrar". O ponto incômodo é o tamanho da conta. O BRB, que tinha de financiar política habitacional e crédito popular no Distrito Federal, virou caixa do esquema de Vorcaro com aval do ex-presidente Paulo Henrique Costa, hoje preso na quarta fase da mesma operação. Agora o contribuinte brasiliense precisa custear, via bens públicos do GDF, a cola que o Supremo está pondo no rombo, enquanto Brasília debate se permite ou não a operação. A pergunta que fica para depois do julgamento. Quem vai responder pelo R$ 21 bilhões em ativos que o BRB engoliu por R$ 4 bilhões, conforme registro da edição #0005? Salvar o banco e perder a conta política é perder duas vezes. (Metrópoles)
Análise do canal sobre o PL 896, da misoginia, expõe o problema do texto aprovado por unanimidade no Senado e a inversão de prioridade do Congresso. Análise publicada ontem em pacienciatemlimite.com.br, em continuidade ao item da edição #0011, sustenta que ser contra o texto não obriga ninguém a defender misoginia, e que o projeto, da forma como saiu do Senado, define crime pelo sentimento de quem ouve, não pela conduta de quem age. A peça destrincha a redação que iguala misoginia ao racismo, aponta que "ódio" e "aversão" são estados internos e não atos passíveis de tipificação penal estrita, e registra que as emendas que protegeriam a liberdade de expressão religiosa, jornalística, acadêmica, artística e científica foram rejeitadas pela relatora Soraya Thronicke sob argumento de que a Constituição já garante essas liberdades. Mostra também o ponto que esta newsletter vem cobrando desde abril. O grupo de trabalho de 45 dias coordenado por Tabata Amaral foi criado para acelerar o PL da misoginia, enquanto o projeto que torna obrigatória a prisão preventiva para crimes graves como estupro e tortura segue engavetado no Senado por falta de apoio da base governista. Tipificar discurso ganha cronograma. Tirar agressor da rua antes da reincidência ganha gaveta. A Câmara tem 45 dias para corrigir a redação, e o eleitor que se importa de verdade com proteção real à mulher precisa cobrar a terceira via, que é a única honesta. Texto melhor, ressalva expressa às liberdades constitucionais e aprovação imediata do PL que prende estuprador antes do trânsito em julgado. (Paciência Tem Limite)
Hugo Motta reafirma na Paraíba que a PEC do fim da escala 6x1 será votada ainda em maio e prevê tramitação intensa na comissão especial. Em coletiva concedida nesta quinta na Assembleia Legislativa da Paraíba, durante edição do "Câmara pelo Brasil", o presidente da Casa repetiu o compromisso de levar a PEC 221/19 ao plenário antes do recesso parlamentar e comparou o debate ao fim da escravidão e à criação do 13º salário. O cronograma da comissão especial conduzida pelo relator Léo Prates prevê votação entre 25 e 26 de maio, com plenário no dia 27. Ao lado de Motta, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, defendeu redução da jornada para 40 horas semanais sem corte de salário. O canal mantém a régua da edição #0005. Existe discussão real e necessária sobre jornada de trabalho no Brasil, mas o caminho honesto passa por aumento de produtividade e pela redução da carga tributária sobre a folha que sufoca pequena empresa. A maioria dos brasileiros que trabalha 6x1 hoje é informal, e não vai sentir nada de nenhuma das duas propostas em discussão na Câmara. Aprovar PEC pomposa em ano eleitoral, com o slogan "fim da escala mais cruel", e fingir que isso resolve o sufoco da camareira terceirizada que ganha por jornada efetiva e do entregador que tem app como patrão é a definição do que vira marketing trabalhista. Quem quer falar sério em direitos do trabalhador começa pela formalização e pela reforma tributária da folha, antes de qualquer coreografia parlamentar. (Câmara dos Deputados)
Operação Hydra mobiliza 200 policiais e prende 26 integrantes de organização criminosa interestadual em Paraná, Santa Catarina e São Paulo. A Polícia Militar do Paraná, em parceria com o Ministério Público estadual e com apoio das polícias de Santa Catarina e de São Paulo, deflagrou na manhã desta quinta-feira a Operação Hydra contra o tráfico interestadual de drogas, com 34 mandados de prisão preventiva e 34 de busca e apreensão. A investigação, iniciada em maio do ano passado, calcula prejuízo de aproximadamente R$ 16,2 milhões à organização criminosa atingida. O nome da operação faz referência à Hidra de Lerna, criatura mitológica de múltiplas cabeças que se regeneram a cada corte. O canal mantém a posição. Atacar tráfico interestadual com inteligência integrada e bloqueio patrimonial é o que de fato funciona, e não a guerra no varejo da rua, que enche cemitério e não move estatística. O contraste com a janela política do dia, em que o Senado prefere discutir afastamento de ministro a votar a lei que prende estuprador e a PEC da Segurança que está parada desde 2025, escancara a régua. A polícia faz com inteligência o que o Congresso não faz com voto. (Massa Notícias)

