Em 24 horas Flávio buscou palanque em Washington, a PF cercou Cláudio Castro de novo, o STF acabou com a aposentadoria-prêmio só para os outros e Aécio entrou na corrida esperando o sinal do mercado.
Flávio Bolsonaro entra no Salão Oval duas semanas depois de Lula e estampa a foto com Trump como saída para a crise do áudio Vorcaro. O senador foi recebido nesta terça em Washington pelo presidente americano, na cena que a sua pré-campanha vinha tentando vender desde a semana passada. Trump pediu, segundo Flávio, que PCC e Comando Vermelho sejam classificados como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos. A régua institucional do canal aplicada à viagem de Lula na edição #0012 vale igual aqui. Quem vai bater na porta da Casa Branca a dois meses da convenção, com o único objetivo concreto de virar foto, está terceirizando palanque para um governo estrangeiro. Lula foi por interesse de Estado e voltou com tarifaço inalterado. Flávio foi por interesse de campanha e voltou com a foto. Os dois usaram a soberania nacional como moeda eleitoral, e nenhum dos dois passa pelo teste de coerência republicana. No salão estavam também Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, ambos denunciados pela PGR por coação e obstrução em ações que tentaram interferir no processo penal do pai do senador. (Reuters, via Investing Brasil)
Polícia Federal cerca Cláudio Castro pela segunda vez em onze dias e mira aplicações bilionárias do Rioprevidência em fundos ligados ao Banco Master, com R$ 52 bilhões já bloqueados pela Justiça. A operação desta terça foi autorizada pelo ministro André Mendonça e cumpriu mandados no Rio e no Distrito Federal, incluindo a residência do ex-governador na Barra da Tijuca. A investigação envolve gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos, crimes contra o sistema financeiro nacional e corrupção passiva. A régua do canal sobre o caso Master segue a mesma desde a edição de estreia. Quando o dinheiro previdenciário do servidor fluminense é direcionado para fundos do banco que rachou R$ 41 bilhões do FGC, e o ex-chefe do Executivo do segundo maior colégio eleitoral do país é cercado duas vezes em onze dias, o assunto deixou de ser banco quebrado. Virou Estado capturado. Não é o caso isolado de mau gestor financeiro, é o desenho do método de aparelhamento institucional que esta newsletter vem mapeando do BRB ao Senado. (ND Mais)
Primeira Turma do STF acaba com a aposentadoria compulsória remunerada como punição máxima a juízes condenados, mas a regra vale para todos os magistrados do país menos para os ministros do próprio Supremo. Por unanimidade, Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia confirmaram nesta terça que a chamada aposentadoria-sanção, criticada há décadas por afastar o juiz preservando o salário, perdeu base constitucional depois da reforma da Previdência de 2019. Em vinte anos, 126 magistrados foram aposentados com vencimentos integrais por venda de sentenças, corrupção, assédio sexual e moral. A leitura do canal é direta. A decisão acaba com um privilégio absurdo da magistratura comum, e nessa parte é meritória. O problema é o asterisco. O acórdão deixa explícito que a nova regra não atinge os onze ministros do STF, que continuam protegidos pela aposentadoria compulsória. Em três meses, o mesmo tribunal expandiu o foro privilegiado, julgamento concluído na sexta passada e coberto na #0025, e nesta terça abriu mão da aposentadoria-prêmio só para os outros. O eleitor de 18 a 35 anos precisa entender o que está em jogo. Quando uma corte muda a régua para o sistema inteiro mas se isenta da própria mudança, o tema deixou de ser técnica jurídica e virou autopreservação corporativa. (Exame)
Federação PSDB-Cidadania aprova por unanimidade a pré-candidatura de Aécio Neves à Presidência um dia depois de o PSDB de São Paulo bater o martelo, e o tucano diz que vai esperar a reação do mercado para responder. O anúncio fechou em Brasília a costura iniciada na sexta passada e registrada por esta newsletter na edição #0024, com o presidente do Solidariedade Paulinho da Força também subindo ao palanque. A aprovação saiu sem qualquer manifestação concreta de Aécio sobre aceitar o convite, que ele afirmou estar honrado, mas dependente de analisar a reação de setores da economia. A régua editorial do canal sobre Aécio segue a mesma da #0024. Não cabe rotulá-lo de corrupto porque as ações da Lava Jato terminaram sem condenação no mérito, mas também não cabe a uma federação que se apresenta como antipolarização entregar pré-candidatura à Presidência condicionada ao sinal verde da Faria Lima. A terceira via tucana se anuncia em Brasília e pede licença ao capital financeiro antes de confirmar se realmente vai existir. Centro do tabuleiro nenhum nasce de palanque que precisa de autorização do mercado para começar. (Poder360)
Pedido de vista de Maurício Macron empurra a votação da PEC 6x1 na comissão especial para esta quarta, e o plenário da Câmara deve receber o texto na quinta com transição de catorze meses como ponto-chave. O relator Leo Prates leu o parecer final na segunda à comissão, com previsão original de votação no colegiado na terça e plenário na quarta, mas a manobra regimental do deputado do PL deslocou um dia o cronograma fechado pelo governo Lula e coberto pela edição #0025. O texto reduz a jornada de 44 para 40 horas sem corte salarial. A régua editorial desta newsletter, aplicada também à emenda Sérgio Turra na #0024, segue a mesma. Reduzir jornada de seis dias por um é pauta legítima e atrasada, e o pedido de vista de oposição visando empurrar a aprovação para a janela eleitoral também é vício processual escancarado. O incômodo permanece sendo a coreografia. O governo entrega o mês do trabalhador com página inteira em jornal a cinco meses da urna, a oposição usa instrumento regimental para esticar a votação até a convenção, e o eleitor que deveria ganhar a pauta vira figurante do palanque dos dois lados. Hoje a comissão volta a se reunir, plenário segue marcado para quinta. (Metrópoles)
Análise Paciência Tem Limite: cinco modelos de IA aplicaram critérios objetivos aos candidatos de 2026 e foram unânimes em colocar Lula e Flávio Bolsonaro nas últimas posições do ranking. Em artigo publicado ontem no site, o canal aplicou um prompt comparativo a ChatGPT, Claude, Gemini, Grok e Perplexity, com cinco critérios objetivos: ausência de envolvimento em escândalos relevantes, histórico ilibado, independência do Centrão, programa de governo concreto e foco em reformas estruturais. Cada modelo recebeu orientação explícita para ignorar popularidade e viabilidade eleitoral. Os cinco divergiram no topo, com três escolhendo Renan Santos, um Romeu Zema e um Ronaldo Caiado. Mas todos os cinco colocaram Lula e Flávio nas duas últimas posições, em qualquer ordem. O ângulo é claro. Quando a régua deixa de ser quem pode ganhar e passa a ser quem entrega o país melhor depois da posse, os dois nomes que dominam a manchete saem do pódio. O artigo registra o prompt completo, as respostas brutas dos cinco modelos e os pontos fracos apontados por eles próprios, e está disponível no link na íntegra. (Paciência Tem Limite)

