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Antes de qualquer coisa: não, não foi uma pergunta do tipo "ei, IA, quem você acha que vai ganhar em 2026?". Não estamos aqui para transformar chatbot em oráculo eleitoral.

O que fizemos foi diferente. Construímos um prompt de análise de dados com critérios exclusivamente objetivos e verificáveis, pedimos que os modelos ignorassem popularidade e viabilidade eleitoral, e forçamos uma hierarquia baseada no que efetivamente interessa para o país, não para marqueteiro.

Os critérios foram cinco:

  1. Ausência de envolvimento em escândalos de corrupção, processos penais relevantes ou condenações

  2. Histórico pessoal ilibado

  3. Independência política em relação ao Centrão e ao fisiologismo congressual

  4. Programa de governo claro, com diagnóstico do país e propostas concretas em economia, segurança, educação e gestão pública

  5. Foco real em reformas estruturais de longo prazo, e não em preservação de base eleitoral ou perpetuação de grupos no poder

E deixamos explícito o que devia ser ignorado na análise: popularidade nas pesquisas, legado de programas distributivos do passado, tamanho do partido, capital político acumulado e viabilidade eleitoral imediata. Porque esses critérios premiam quem já está no jogo e não medem o que entrega resultado real para o país.

Os cinco nomes avaliados foram os que estão em destaque para a disputa presidencial: Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos.

Você pode consultar o prompt completo e as respostas brutas de todos os modelos aqui.

O que cada modelo respondeu no topo

Os modelos divergiram entre si sobre quem seria o melhor candidato segundo esses critérios:

ChatGPT (GPT-5.5) apontou Renan Santos como primeiro colocado, com Zema em segundo e Caiado em terceiro.

Claude (Sonnet 4.6) também escolheu Renan Santos, com a justificativa mais detalhada do grupo, incluindo críticas estruturais a todos os outros candidatos.

Grok (Expert) seguiu na mesma direção: Renan Santos em primeiro, Zema em segundo, Caiado em terceiro.

Gemini (3.1 Pro) foi o único que se recusou a fazer uma escolha direta, argumentando que os critérios exigem "julgamentos interpretativos". Mas, quando forçado a aplicar o funil lógico dos critérios, concluiu que Zema tem a maior aderência ao conjunto de filtros.

Perplexity (Sonar) foi na contramão da maioria e escolheu Caiado como primeiro colocado, com Zema em segundo e Renan Santos em terceiro.

O topo é disputado. Três modelos convergiram em Renan Santos. Dois preferiram Zema ou Caiado. Isso é o tipo de divergência que faz sentido: são candidatos com perfis parecidos no que diz respeito à independência do Centrão e agenda reformista, com diferenças reais de experiência executiva versus independência estrutural.

Essa é a parte interessante da análise. A parte reveladora, porém, não está no topo.

O nome que três modelos escolheram

Das cinco análises, três chegaram ao mesmo primeiro colocado: Renan Santos. Outros dois colocaram Zema ou Caiado no topo, mas incluíram Renan entre os três primeiros. Na prática, nenhum modelo o colocou fora do pelotão da frente.

A margem importa. Quando você aplica critérios objetivos de integridade, independência e foco estrutural, um nome aparece com consistência que os outros não têm. E não é coincidência que seja exatamente o candidato que chegou à disputa com um programa de governo real antes de qualquer outro.

O Livro Amarelo, o programa do Partido Missão, é o único documento do campo presidencial que tem diagnóstico, proposta e métrica de resultado organizados de forma coerente. Não é promessa de campanha. É arquitetura de governo. Os outros candidatos têm discursos, têm posicionamentos, têm histórico executivo em alguns casos. Programa estruturado, com lógica interna e metas verificáveis, só tem um.

Os modelos identificaram isso. ChatGPT, Claude e Grok apontaram especificamente a qualidade do diagnóstico e a disposição de propor reformas que implicam custo político real no curto prazo como diferenciais. Não é candidato que fala o que a pesquisa manda. É candidato que avisou de antemão que as medidas necessárias vão doer antes de melhorar.

Os pontos fracos também apareceram com honestidade nas análises: ausência de experiência executiva comprovada e um estilo confrontacional que pode dificultar a coordenação legislativa. São críticas legítimas, e ninguém está ignorando. Mas os modelos pesaram tudo isso e, em três dos cinco casos, ainda chegaram ao mesmo nome.

Num cenário em que os outros candidatos chegam à eleição carregando passivos jurídicos, dependência estrutural do Centrão ou programas de governo que existem para consumo de marqueteiro, a diferença de perfil é real. Os modelos de IA não conhecem política brasileira pelo instinto. Eles leram os critérios, aplicaram o filtro e chegaram onde chegaram.

A unanimidade que ninguém esperava

Cinco modelos diferentes, desenvolvidos por empresas diferentes, treinados com arquiteturas diferentes, aplicando pesos ligeiramente distintos aos critérios. E, quando chegamos ao fundo do ranking, a discordância desapareceu.

Todos os cinco modelos colocaram Lula e Flávio Bolsonaro nas últimas posições. Sem exceção.

Lula ficou em último lugar em quatro dos cinco rankings. No único em que não ficou (o do Perplexity), ficou em quarto, com Flávio Bolsonaro em quinto. Na prática, os modelos alternaram entre os dois a posição de pior candidato, mas nunca colocaram nenhum deles acima do terceiro lugar. E o argumento foi consistente em todos os casos:

Nos critérios de integridade e ausência de processos, ambos carregam os históricos mais densos do grupo, Lula com múltiplas ações da Lava Jato e condenações anuladas por questões processuais, não por mérito, e Flávio com o caso das rachadinhas e investigações por lavagem de dinheiro com ligações comprovadas ao seu ex-chefe de gabinete.

Nos critérios de independência do Centrão, os dois representam exatamente o oposto do que foi pedido. O governo Lula montou a coalizão mais fisiológica da história recente do país. Flávio é filiado ao PL e sua candidatura depende diretamente da máquina bolsonarista como bloco de poder familiar.

Nos critérios de reformas estruturais, nenhum dos dois apresenta agenda que implique custo político real no curto prazo. A lógica dos dois é preservação de base, não transformação do país.

É importante registrar: as anulações judiciais existem e têm peso jurídico real. Mas os modelos foram explícitos em distinguir "anulação por questão processual" de "absolvição por inocência reconhecida no mérito". Essa distinção importa quando o critério é histórico ilibado.

O que esse resultado significa

Não estamos afirmando que IA decide eleição. Não estamos dizendo que a análise de modelos de linguagem substitui o debate político real.

O que estamos dizendo é o seguinte: quando você remove da equação a popularidade, o capital político acumulado e a viabilidade eleitoral imediata, e aplica critérios que medem o que efetivamente importa para o país, dois candidatos específicos deixam de ter argumento. E esses dois candidatos são exatamente os que os polos estabelecidos querem que você enxergue como as únicas opções reais.

Essa é a armadilha de 2026. A polarização PT versus Bolsonaro não é uma disputa entre visões de Brasil. É a disputa pelo controle de um sistema que funciona para os dois lados, e que não funciona para você.

Cinco modelos de IA, cada um com seu próprio conjunto de pesos e interpretações, chegaram à mesma conclusão quando o ruído foi removido: os candidatos que melhor atendem aos critérios objetivos de integridade, independência e foco estrutural não são os que lideram as pesquisas. E os que lideram as pesquisas são os que menos atendem a esses critérios.

Isso não é coincidência. É o resultado de décadas de investimento na normalização do baixo padrão.

O que fazer com essa informação

A eleição de 2026 ainda está longe o suficiente para que candidaturas alternativas cresçam. Mas está perto o suficiente para que a narrativa de "voto útil" comece a ser implantada. E a narrativa do voto útil é exatamente o mecanismo que mantém o mesmo sistema funcionando.

O voto útil diz: "vote em quem pode ganhar". A consequência lógica é que você nunca vota em quem deveria ganhar. E aí o sistema se perpetua.

Você não precisa concordar com todos os critérios que usamos. Pode ter os seus próprios. O exercício vale de qualquer forma. Porque quando você para de votar no menos pior e começa a exigir o melhor possível, a escolha muda. E quando a escolha muda em escala suficiente, a eleição muda junto.

Consulte o prompt e as respostas completas aqui. Leia os argumentos. Forme sua própria opinião. É isso que esse canal sempre pediu.

Você concorda com a análise? Tem algum critério que deveria ter entrado? Comenta aqui.

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