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Em 24 horas Washington carimbou o PCC e o Comando Vermelho de terroristas e a campanha de 2026 fez festa, a União costurou um socorro de R$ 6,6 bilhões ao BRB no gabinete de Fux, o desemprego subiu para 5,8%, a 6x1 caiu no colo do Senado e a ANPD virou xerife das redes por decreto.

O governo Trump anunciou que vai classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, e em poucas horas a eleição de 2026 transformou a tragédia da segurança pública brasileira em troféu de campanha. O Departamento de Estado, em comunicado assinado por Marco Rubio nesta quinta (28/05), designou as duas facções como "terroristas globais especialmente designados", e a classificação como "organização terrorista estrangeira" deve entrar em vigor em 5 de junho. Pré-candidatos da direita correram para comemorar como se fosse vitória própria, governistas usaram o anúncio para bater em Flávio Bolsonaro, que pediu a medida a Trump, e Lula rejeitou discutir "facção e terrorismo" a partir de uma decisão americana. A régua deste canal é a de sempre. Importar de Washington um rótulo de terrorismo não resolve nada aqui dentro e ainda abre a porta de um estado de exceção jurídico, com supressão de garantias sob uma etiqueta vaga, exatamente o tipo de atalho que o Brasil já viu descambar para abuso. O problema do PCC e do CV não é o nome que os Estados Unidos colam neles, é que o Estado brasileiro mata pedreiro a caminho da obra, como em São Gonçalo na semana passada, e não prende o chefe do tráfico. Facção não se enfrenta com selo estrangeiro nem com palanque, se enfrenta com inteligência, fronteira controlada e asfixia financeira, e essa é tarefa nossa, não do Salão Oval. (Poder360)

A União e o governo do Distrito Federal fecharam um acordo para socorrer o BRB com um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões, e a conta desse banco que se enrolou no caso Master vai parar, lá na ponta, no bolso de quem paga imposto. O acerto foi costurado nesta quinta (28/05) numa audiência de conciliação no gabinete do ministro Luiz Fux, no STF, e prevê que o banco tome o dinheiro junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A AGU faz questão de dizer que não há aval nem repasse da União, mas o GDF deu como garantia as transferências federais do Fundo de Participação, e pelo desenho do acordo o estado pega cerca de R$ 6,6 bilhões e devolve perto de R$ 15 bilhões ao longo de dez anos. Parte do que for recuperado dos desvios do Master, incluindo o que sair das delações de Daniel Vorcaro, preso desde o ano passado, e do ex-presidente do próprio BRB, fica reservada para abater o empréstimo. A leitura aqui é a de sempre, e vale para todos. O Banco Central mandou anos de avisos, o banco público entrou na roda do Master assim mesmo, e agora um socorro bilionário é homologado na mão de um único ministro do Supremo enquanto o morador do DF segue na fila do posto de saúde. Banco quebrado por má gestão não é desastre natural, é decisão de gente com nome, e quem mexeu na máquina pública não pode sair pela porta dos fundos deixando a conta dividida com o resto. (Agência Brasil)

O desemprego subiu para 5,8% no trimestre encerrado em abril, e o dado que mais importa para o brasileiro comum passou quase batido no dia em que a manchete era selo de terrorista e foto no plenário. O IBGE divulgou nesta quinta (28/05) que a desocupação avançou 0,4 ponto sobre o trimestre anterior, com 6,3 milhões de pessoas procurando trabalho e sem achar, enquanto a população ocupada caiu 0,3%, menos 338 mil pessoas. O governo vai bater na tecla de que é a menor taxa para o período em anos, a oposição vai gritar que subiu, e cada lado está certo no pedaço que interessa a ele. O que a turma da campanha não quer encarar é que a informalidade segue perto de 37%, quer dizer, quase quatro em cada dez ocupados sem carteira, sem férias e sem o tal descanso de domingo que a Câmara aprovou na semana passada. Enquanto deputado entra de camiseta no plenário e senador busca foto em Washington, o trabalhador de verdade vê o emprego ficar mais escasso e a renda andar sem plano nenhum por trás. Economia não se conduz por manchete, e até aqui ninguém apresentou ao país um projeto sério de geração de emprego formal que vá além do palanque. (IBGE, via CNN Brasil)

A PEC do fim da escala 6x1 desembarcou no Senado, e a indústria já bateu à porta de Davi Alcolumbre antes mesmo de o texto esfriar. Aprovada na Câmara na quarta, a proposta que reduz a jornada de 44 para 40 horas chegou ao Senado nesta quinta (28/05), e o presidente da Casa recebeu representantes do setor produtivo no mesmo dia em que o governo já estuda incentivos de contratação via MEI para amortecer o impacto. O assunto agora opõe abertamente trabalhadores e empresários, e cada lado tenta empurrar a conta para o outro. A posição do canal não muda. Reduzir a jornada de seis dias por um é pauta legítima e atrasada, e o trabalhador que ganhar a folga não deve satisfação a ninguém. O incômodo continua sendo a coreografia. O governo entregou a pauta embrulhada em campanha, a oposição usou manobra de regimento para empurrar a votação, e agora o Senado vira o palco onde o lobby da empresa e o lobby da central sindical disputam quem escreve a regra, sem que ninguém pare para falar dos quase 40% de informais que nem entram nessa conta. Jornada de trabalho deveria sair de negociação madura entre quem emprega e quem trabalha, não de leilão eleitoral a cinco meses da urna. (Senado Federal)

A ANPD entrou em operação como uma superagência da internet brasileira, com poder de polícia sobre as redes, montada por decreto e sem passar pelo Congresso. A autoridade, que nasceu só para cuidar de proteção de dados, começou nesta quinta (28/05) a receber os técnicos que vão fiscalizar as plataformas e já pediu concurso para 200 vagas, depois que Lula assinou em 20 de maio dois decretos que jogam nas big techs a obrigação de remover conteúdo tido como criminoso, sob multa de até 10% do faturamento. A oposição reagiu protocolando uma enxurrada de projetos para sustar os decretos, com o argumento de que o governo legislou por conta própria. Aqui a régua precisa ser firme dos dois lados. Combater pornografia infantil, golpe financeiro e violência contra a mulher na rede é dever do Estado, e ninguém sério é contra. O problema é o caminho. Ampliar por decreto, sem voto no Congresso, o poder de um órgão cujos diretores o próprio presidente indica, e ainda deixar nas mãos das plataformas a decisão sobre o que é "conteúdo ilícito" a partir de critérios elásticos, é abrir uma porta perigosa em ano de eleição. Censura quase nunca chega anunciada como censura, costuma chegar embrulhada em causa nobre. Regra que mexe com liberdade de expressão se faz no Parlamento, de cara à mostra, não em edição extra do Diário Oficial. (Poder360)

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