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Em 24 horas a PF devolveu a delação de Vorcaro por proteger autoridades de Brasília, o marqueteiro de Flávio largou a pré-campanha no meio da crise e o decano do Supremo acusou o presidente da Corte de obstrução por mensagem privada.

A Polícia Federal rejeita a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro e aponta tentativa de blindar autoridades influentes de Brasília no acordo apresentado pela defesa. O caso Master, que esta newsletter acompanha desde a edição de estreia, ganhou nesta quarta o desfecho que poucos previam. A PF devolveu oficialmente os anexos do pendrive entregue pela defesa do banqueiro com o argumento explícito de que continham omissões relevantes e tentativas de preservar figuras influentes da capital, e os investigadores classificaram o material como insuficiente e sem utilidade prática. Vorcaro está preso preventivamente há mais de dois meses depois de duas tentativas frustradas de fechar acordo. A regra da delação não muda. Quem segura nome no contrato em troca de pena menor sai sem acordo e cumpre integral o que tiver que cumprir, e o eleitor de 18 a 35 anos tem o direito de saber quem foram exatamente as figuras de Brasília que o banqueiro tentou tirar da reta. (Metrópoles)

Flávio Bolsonaro troca o marqueteiro Marcelão no meio da crise do caso Vorcaro e PF passa a investigar se os R$ 61 milhões pagos pelo banqueiro foram parar no fundo do Texas que custeia Eduardo nos Estados Unidos. O senador que ontem mesmo confessou em coletiva ter visitado o banqueiro durante a prisão domiciliar, fato coberto na edição #0021, comunicou nesta quarta a saída de Marcelo Vitorino, conhecido como Marcelão, da equipe da pré-campanha presidencial. Pela versão do ex-chefe da Secom Fábio Wajngarten, o marqueteiro foi "sabotado pela política". O recado real está em outra linha da matéria. A PF agora investiga formalmente se o dinheiro pago por Vorcaro, transferido por uma empresa do esquema para o fundo Havengate Development Fund LP sediado no Texas e administrado por advogado próximo de Eduardo, foi usado para sustentar a permanência do deputado nos Estados Unidos. Trocar de marqueteiro enquanto o nó entre Master, Texas e a família aperta um pouco mais a cada dia não é ajuste de comunicação. É admissão de que a estratégia anterior estourou no colo. (Diário do Grande ABC)

Vazamento de mensagem mostra Gilmar Mendes acusando Fachin de aplicar "filibuster" no Supremo e expõe o racha entre o decano e o presidente da Corte enquanto o STF tenta sair da crise se segurando no áudio de Flávio. A reportagem publicada nesta quarta detalha o esgarçamento institucional no Supremo. O decano cobrou por WhatsApp o presidente da Corte pela paralisia de quatro processos do plenário (mineração em terras indígenas, Ferrogrão, gratuidade na Justiça do Trabalho e revisão da vida toda), o conteúdo vazou para a imprensa e o assunto agora é público. A apuração traz a parte mais reveladora. Fachin e o grupo de apoio mais próximo (Cármen Lúcia, Fux, Mendonça e Kassio Nunes Marques) trabalham internamente com a tese de que se a Corte não fizer correção de rumos em 2026, o ajuste virá de fora, pelo novo Senado eleito em outubro. Quando o tribunal admite a si mesmo que precisa se conter porque o eleitor está chegando perto, a régua da independência institucional já se inverteu. O Supremo decide por canetada quando convém, blinda processo quando não convém e agora se mexe sob a pressão de uma eleição. Não é assim que se preserva uma corte. (Gazeta do Povo)

Câmara aprova projeto que endurece penas para crimes sexuais contra crianças e adolescentes, classifica os delitos como hediondos e regulamenta a "ronda virtual" para investigação policial em ambientes digitais públicos. O texto de autoria do deputado Osmar Terra, relatado pela deputada Rogéria Santos, foi aprovado em plenário e segue para o Senado. A proposta cria agravantes para conteúdo de abuso compartilhado em múltiplas plataformas, prevê perda automática de cargo público e mandato eletivo para condenados, autoriza ronda virtual sem autorização judicial em material disponibilizado publicamente e amplia punições para conteúdo gerado com inteligência artificial. Os números que motivaram a votação são brutais. A SaferNet registrou mais de 49 mil denúncias de abuso infantil no primeiro semestre de 2025, alta de 18,9 por cento, e a Internet Watch Foundation aponta crescimento de mais de 26 mil por cento em denúncias com imagens criadas por IA no mesmo período. Lei dura para crime contra criança é o mínimo que se espera de um Congresso que se respeite, e o texto que sai da Câmara é robusto. Cabe o lembrete que esta newsletter já registrou na edição #0006. O projeto que torna a prisão preventiva obrigatória para estupro e tortura, da bancada da centro-direita, continua engavetado no Senado por falta de apoio da base governista. Quando o Congresso quer entregar, entrega. (Câmara dos Deputados)

Erika Hilton rejeita publicamente as compensações ao setor produtivo que Lula havia acenado a empresários para destravar a votação da PEC do fim da escala 6x1. A deputada autora do projeto, do PSOL paulista, contestou nesta quarta o próprio presidente da República em rádio nacional. Na véspera, falando a empresários no Encontro Internacional da Indústria, Lula sinalizava aceitar compensações fiscais para setores impactados pela redução da jornada. Hilton respondeu que "não há espaço" para desoneração de folha e que o trabalhador brasileiro apenas vai receber um dia a mais de descanso. O ministro Boulos já havia descartado compensação na semana anterior. O governo se enrolou num xadrez de imagem que ele próprio armou. Hugo Motta quer aprovar a PEC ainda em maio para entregar mês do trabalhador. A oposição pressiona por transição de dez anos, o que na prática é fingir aprovar a mudança e enterrá-la pelo caminho. E o presidente assopra empresários enquanto a base radical da própria coalizão vai à guerra contra o setor produtivo. Reduzir jornada que esgota é pauta legítima, e o canal não está aqui para defender exploração. O incômodo é a coreografia eleitoral em volta dela, escancarada a cinco meses da urna. (Gazeta do Povo)

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