Empresa da família Vorcaro movimentou R$ 1 bilhão entre as próprias contas em cinco anos, segundo o Coaf. A Folha publicou no domingo um levantamento baseado em relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras. A holding Multipar, presidida por Henrique Vorcaro (pai do banqueiro do Master) e que tem como sócia Natália Vorcaro (irmã), movimentou mais de R$ 1 bilhão entre 2020 e 2025 em transações que, segundo o Coaf, sugerem "tentativa de quebra do rastro do dinheiro". Aproximadamente 93% desses recursos circularam dentro de uma rede de cerca de 30 empresas, holdings e fundos ligados ao próprio Vorcaro ou ao Banco Master. O caso do Master, coberto desde a edição de estreia desta newsletter, ganha agora um capítulo familiar. Não é só fraude bancária. É engenharia patrimonial montada com paciência, dentro de casa, para fazer bilhões desaparecerem das contas de quem deveria responder pelo rombo. Quando a delação for homologada, o que está enterrado nessa estrutura familiar vai ser uma das primeiras coisas que o Estado brasileiro vai precisar exumar. (O Tempo, com base em reportagem da Folha)
Vorcaro propõe R$ 40 bilhões em multa na delação, mas avisa que não pretende indenizar o BRB nem o FGC. Reportagem publicada no domingo pelo Valor Econômico mostra que o banqueiro do Master oferece pagar R$ 40 bilhões ao longo de dez anos como contrapartida da colaboração premiada com a PF e a PGR. Mas o entorno de Vorcaro avisa que o BRB já teria sido "compensado" pelos ativos que o Master entregou no fim de 2025, e que o Fundo Garantidor de Créditos não teria nada a ressarcir porque é um seguro do sistema. O detalhe que escapa nessa lógica é que os ativos entregues, avaliados pelo Master em R$ 21 bilhões, foram negociados pelo BRB com a gestora Quadra por R$ 4 bilhões, podendo chegar a R$ 15 bilhões só num cenário extremamente otimista. O FGC, por sua vez, já desembolsou cerca de R$ 4,3 bilhões em assistência ao Master entre maio e outubro de 2025. Banqueiro com R$ 40 bilhões na mesa para fechar acordo com a Justiça, mas que se recusa a colocar um centavo na conta do banco público que ele mesmo ajudou a quebrar, é a definição operacional do descaramento. O BRB já foi ao STF pedir que parte da multa seja reservada justamente para isso. Resta saber se André Mendonça vai aceitar ou se vai assinar o acordo do jeito que o banqueiro quer. (Aliados Brasil, com base em reportagem do Valor Econômico)
Senado sabatina Jorge Messias nesta quarta e Lula amplia maioria de aliados no STF. A CCJ do Senado realiza dia 29 de abril, pela manhã, a sabatina do advogado-geral da União indicado por Lula para a vaga deixada por Roberto Barroso. O relator, Weverton (PDT-MA), já anunciou parecer favorável, e o governo conta com mais de 41 votos garantidos no plenário. A oposição reconhece que não tem força para barrar o nome e vai usar a sessão para constranger Messias com perguntas sobre aborto, parecer da AGU sobre assistolia fetal e atuação na crise do 8 de Janeiro. O ponto que importa não está no currículo do indicado nem no roteiro da oposição. Está na régua institucional. Esta é a terceira indicação de Lula no atual mandato, somando às anteriores Cristiano Zanin e Flávio Dino, e Messias pode ficar no STF até 2056 porque tem 45 anos. Não há no mundo democrático uma Suprema Corte que concentre tanto poder quanto a brasileira e cujas vagas sejam negociadas como recompensa política entre o Palácio e o Senado. Quem quer falar a sério em reforma do Judiciário em 2026 precisa começar exatamente aqui. Se a discussão é só "qual jurista é menos ruim", o problema continua. (Gazeta do Povo)
Congresso vota dia 30 o veto de Lula ao PL da Dosimetria com derrota iminente do Planalto. Na próxima quinta-feira, deputados e senadores se reúnem em sessão conjunta para decidir se mantêm ou derrubam o veto integral que Lula aplicou em janeiro ao Projeto 2162/2023. O texto, aprovado pelo Congresso em dezembro de 2025 com 291 votos na Câmara, prevê redução de penas de até dois terços para condenados por crimes contra o Estado democrático de Direito praticados em contexto de multidão, desde que o réu não tenha exercido papel de liderança ou financiamento. Na prática, a regra pode beneficiar Bolsonaro e os condenados pelos atos de 8 de Janeiro. A oposição articula 300 votos para derrubar o veto na Câmara. No Senado, o jogo é mais aberto. O PT trata a votação como teste de lealdade da base e prepara contestação no STF caso o veto seja derrubado. O bolsonarismo trata como vitória simbólica para sua narrativa de "perseguição". Os dois lados estão fingindo que o debate é sobre Bolsonaro, quando o que está em jogo é se o Brasil vai aceitar tratar líderes de um ataque às instituições com a mesma régua de quem foi arrastado para a multidão na manhã do 8 de Janeiro. Quem se importa de verdade com proporcionalidade penal já deveria estar discutindo critérios objetivos de dosimetria há dois anos, não votando às pressas em ano eleitoral para salvar uma figura específica. (Metrópoles)
CCJ da Câmara aprova PEC do fim da escala 6x1 e Kataguiri (Missão) vota contra o que classifica como palanque populista. Hugo Motta criou na sexta a comissão especial que vai analisar o mérito das duas Propostas de Emenda à Constituição que acabam com a jornada 6x1 e reduzem a carga semanal para 36 horas. A admissibilidade foi aprovada na CCJ por unanimidade na quarta. Lula tenta antes acelerar a pauta via projeto de lei próprio, com urgência constitucional, propondo redução para 40 horas. O presidente da Câmara prefere o caminho da PEC para garantir protagonismo do Legislativo. Datafolha aponta que 71% dos brasileiros apoiam o fim do 6x1. A CNI calcula impacto de R$ 88 bilhões em custos para empresas. Entre os poucos votos contrários, o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP) classificou a medida como populista e disse que a redução de jornada não atinge a maioria dos trabalhadores brasileiros, que são informais. A leitura do canal é que existe uma discussão real e necessária sobre jornada de trabalho no Brasil, mas que o caminho honesto passa por aumento de produtividade e redução da carga tributária sobre a folha, não por canetada eleitoral em ano de voto. Quem reduz jornada sem mexer no resto está fazendo marketing com o emprego dos outros. E como a maioria dos brasileiros que trabalha 6x1 hoje é informal, mesmo um avanço aprovado em PEC só vai chegar a quem já tem carteira assinada, justamente a parte do mercado que menos precisa do socorro. (CNN Brasil)

