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O Senado despejou até R$ 140 bilhões no agro com dinheiro do pré-sal, a CCJ tirou o Banco Central do Orçamento da União, a Polícia Federal pegou prefeitura abastecendo campanha no Maranhão, o TSE proibiu uma pesquisa, a vacina da dengue do Butantan foi suspensa depois de duas mortes em investigação e a PF foi ao Congresso explicar o caso Ramagem. Seis frentes num dia só, e governo, oposição e Centrão aparecem em todas elas.

O Senado aprovou um socorro de até R$ 140 bilhões ao agro bancado pelo dinheiro do pré-sal, e o mesmo governo que negociou a proposta por meses agora ameaça vetar e correr ao STF. O projeto, batizado nos bastidores de Refis do Agro, renegocia dívidas de produtores atingidos por secas, enchentes e quebras de safra entre 2019 e 2025, com juros de 3,5% a 7,5% ao ano e prazos que chegam a quinze anos. Logo depois da votação, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que o universo de operações pode somar R$ 200 bilhões e que o custo para o Tesouro fica perto de R$ 140 bilhões nos próximos anos. Como os senadores mudaram o texto, a proposta volta para a Câmara.

A parte que ninguém no palco quer encarar é a coreografia. A bancada ruralista, que vive de discursar contra o Estado grande e a favor do livre mercado, empurrou um perdão bilionário pago com o fundo do pré-sal, que é de todo brasileiro e não só de quem planta. O governo sentou na mesa, fez concessão atrás de concessão para destravar o placar e só descobriu que existe limite fiscal depois que a votação terminou, falando em veto e Supremo no dia seguinte. Os dois tratam o caixa público como gaveta sem fundo quando há plateia para agradar a cinco meses da urna. O produtor que de fato perdeu a lavoura para o clima vira escudo de uma conta muito maior. Existe socorro decente, com foco em quem realmente quebrou e regra clara, sem incluir quem só quer trocar dívida cara por dívida barata na conta do contribuinte. O próprio Durigan resumiu a parte fácil, "todo mundo tem que ter responsabilidade fiscal". Faltou ele lembrar disso antes de assinar embaixo. (CNN Brasil)

A CCJ do Senado aprovou a PEC que tira o Banco Central do Orçamento da União e deixa a instituição controlar o próprio dinheiro, com aplauso dos bancos privados e resistência do governo. Pela PEC 65/2023, que agora segue para o plenário, o BC vira uma entidade pública de natureza especial, sem vínculo com nenhum ministério, e passa a reter no próprio orçamento a chamada senhoriagem, a receita que nasce da emissão de moeda. Hoje esse dinheiro vai para o Tesouro e o orçamento do banco é fixado pela lei orçamentária, na casa de R$ 4,8 bilhões por ano. A senhoriagem que ficaria com o BC girou em torno de R$ 23,3 bilhões por ano na última década. O presidente do banco, Gabriel Galípolo, e o setor financeiro defendem a mudança. O líder do governo, Jaques Wagner, tentou emplacar que o orçamento do BC passasse antes pelo Conselho Monetário Nacional, e o relator, Plínio Valério, derrubou a emenda.

Aqui o canal não compra o pacote inteiro nem rejeita por reflexo. Blindar a política monetária do dedo do político de plantão é coisa de país sério, e um BC sem dinheiro para fiscalizar banco grande é um fiscal de gravata sem caneta. O problema mora no desenho. Trocar a tutela do governo pela influência do próprio setor que o banco regula não é autonomia, é capturar quem deveria vigiar. E dar a uma instituição orçamento próprio fora do controle do Congresso, sem prestação de contas à altura, é assinar um cheque em branco em nome da técnica. Um manifesto de economistas já alertou para o risco de o BC virar refém dos bancos e de os juros altos ganharem mais um motivo para não cair. Autonomia técnica sim, com transparência total e cobrança de resultado. Independência que ninguém audita não é república, é feudo com ar condicionado. (CNN Brasil)

A Polícia Federal deflagrou a operação Fundo Oculto e mirou empresas que usavam contratos com prefeituras do Maranhão para desviar dinheiro público e abastecer campanhas nas eleições municipais de 2024. A ação foi autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão e cumpriu 25 mandados de busca e apreensão, com afastamento de um funcionário público e sequestro de R$ 4 milhões em bens. Segundo a PF, duas organizações criminosas movimentaram cerca de R$ 10 milhões em valores atípicos, com a ajuda de um funcionário de banco em São Luís e picos de movimentação nas semanas que antecederam a votação. Os investigados poderão responder por desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção e falsidade ideológica eleitoral.

Repare que aqui não tem cor de partido para defender ou atacar, e é justamente esse o ponto. O esquema descrito pela PF é o manual da política brasileira de balcão, prefeitura vira caixa eletrônico de campanha, contrato de obra e de serviço vira santinho, e o eleitor acha que está escolhendo enquanto a urna já foi parcialmente comprada com o dinheiro do imposto dele. Isso roda em município governado por qualquer sigla, do Nordeste ao Sul, e é o tipo de podridão silenciosa que não dá manchete nacional mas decide quem manda na sua cidade. Enquanto a atenção fica grudada na novela presidencial, é no andar de baixo que o dinheiro público troca de bolso com mais facilidade. Fiscalização séria de contrato municipal e rastreio de quem financia quem não é tema chato de auditor, é a diferença entre voto e leilão. Por ora são investigados, e investigado não é condenado, mas a engrenagem que a PF descreve já é conhecida demais. (Agência Brasil)

O TSE suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel sobre a corrida presidencial depois que o PL de Flávio Bolsonaro alegou que o questionário foi montado para induzir o eleitor. O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, proibiu o instituto de divulgar ou republicar o levantamento, registrado sob o número BR-06939/2026, sob suspeita de indução. A queixa do partido é que a pesquisa colocou oito perguntas sobre o Banco Master em sequência, mais um áudio que envolve o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antes de medir voto. A AtlasIntel nega e diz que o áudio só entrava depois das perguntas de intenção. Na sequência, o plenário começou a julgar, a ministra Estela Aranha pediu vista e a suspensão segue valendo por tempo indeterminado.

Dá para segurar duas verdades ao mesmo tempo sem soltar nenhuma. Uma pesquisa que empilha oito perguntas sobre um escândalo bancário e toca um áudio antes de perguntar em quem você vota não está medindo opinião, está plantando uma. Isso pede checagem técnica de verdade, e o instituto tem que abrir o questionário inteiro para quem quiser conferir. O remédio é que está errado. Tribunal eleitoral decidindo qual número o cidadão pode enxergar, com ministro sentado em cima do processo via pedido de vista, é precedente perigoso num ano em que cada décimo vira manchete. O PL correu para a Justiça no instante em que um número desagradou, e o TSE topou virar editor de pesquisa. As duas coisas são ruins. A saída adulta tem nome, transparência, com todo instituto obrigado a publicar o questionário completo e a ordem das perguntas, para que metodologista, imprensa e eleitor julguem. Censura não conserta pesquisa torta, só fabrica um problema maior. (TSE)

Foto por Instituto Butantan/Divulgação.

O Ministério da Saúde suspendeu por precaução a vacina da dengue do Butantan depois de registrar 42 reações graves entre 500 mil doses, com três casos sérios e duas mortes ainda sob investigação. O ministro Alexandre Padilha foi claro ao dizer que ainda não dá para afirmar que os eventos foram causados pela vacina, e que um comitê de especialistas vai investigar caso a caso. São oito ocorrências graves para cada 100 mil doses, número que a pasta classificou como sinal de alerta. Quem tomou o imunizante nas últimas semanas terá acompanhamento, e a orientação é procurar atendimento diante de febre alta, dor abdominal intensa ou outros sinais. A vacina do Butantan tem eficácia de 65% no geral e de 85% contra os casos graves, e a dengue em 2026 está em baixa em relação a anos anteriores.

Aqui vale uma posição que talvez incomode os dois extremos. Interromper a aplicação por precaução e explicar tudo em coletiva, com número aberto e causalidade ainda não confirmada, é o Estado fazendo o certo, e isso merece crédito venha de quem vier, sem essa de só elogiar gestão de time amigo. O perigo real começa agora, e mora na máquina de desinformação. De um lado, o antivacina de plantão já está surfando em duas mortes não comprovadas para condenar uma tecnologia que salva vida e derrubou caso grave. Do outro, qualquer tentação do governo de empurrar o assunto para debaixo do tapete para não manchar uma vitrine seria igualmente grave. O caminho é o mais chato e o mais honesto, investigação rápida, dado público e ciência, não palanque. Vacina não é torcida, é estatística, e estatística a gente investiga antes de gritar. (Agência Brasil)

A Polícia Federal foi ao Congresso e informou que ajudou apenas com troca de informações, sem executar a prisão de Alexandre Ramagem nos Estados Unidos, num caso que a oposição tenta transformar em bandeira de soberania. Ao líder da oposição, a corporação disse que o delegado que servia como oficial de ligação junto ao serviço de imigração americano atuou no repasse de dados e documentos, função inerente ao cargo, e não participou das ações que levaram à detenção em Orlando. Ramagem, ex-diretor da Abin, é condenado pelo STF na trama golpista a mais de 16 anos, fugiu do país no ano passado e teve o mandato cassado pela Câmara. A oposição convocou o ministro da Justiça e quer ouvir o diretor-geral da PF para questionar a cooperação entre Brasil e Estados Unidos.

Esse é daqueles em que o reflexo de torcida atrapalha os dois lados. Quem foi condenado por tentar quebrar a democracia e depois fugiu da própria pena não é preso político, não é mártir e não é vítima de perseguição. Transformar a captura de um foragido em ofensa à soberania nacional é teatro de palanque, ainda mais vindo de gente que aplaude quando potência estrangeira pressiona o Brasil em outras pautas. Dito isso, o Congresso perguntar como um órgão do Estado brasileiro atuou junto a um serviço estrangeiro para localizar um cidadão é exatamente a função fiscalizadora do Parlamento, e a PF responder com ofício formal em vez de nota de efeito é o registro certo. O caminho saudável é o mais sem graça, regra clara e pública sobre cooperação policial internacional, que valha igual independente de quem está na mira. Hoje serve para pegar um foragido bolsonarista, amanhã serve para qualquer um, e aí a conversa muda de figura. (Metrópoles)

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