Em meio a um feriado que esvaziou Brasília, o TSE liberou R$ 4,9 bilhões do fundo eleitoral com PL e PT na frente da fila, a Câmara passou na pressa um projeto que afrouxa o garimpo, o STF derrubou por 6 a 5 a idade mínima da aposentadoria especial, as exportações para os Estados Unidos caíram 14 por cento em maio e o carimbo de terrorista no PCC e no Comando Vermelho passa a valer hoje, com a maioria do país aplaudindo.
O TSE liberou R$ 4,9 bilhões do fundo eleitoral para a campanha de outubro, e quem mais embolsa são justamente os dois lados que você ouve brigando todo dia. O Tribunal Superior Eleitoral confirmou nesta semana a distribuição do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o fundão, entre os 30 partidos que vão disputar 2026. O PL de Flávio Bolsonaro fica com a maior fatia, R$ 881 milhões. Logo atrás vem o PT de Lula, com R$ 615 milhões, e o União Brasil, com R$ 526 milhões. Juntas, as três siglas abocanham cerca de 40 por cento de tudo. É dinheiro seu, tirado do Orçamento, não doação de militante convicto. A régua aqui não tem lado, porque os dois lados estão na mesma fila do caixa. O mesmo sistema que se vende como inimigo mortal de palanque divide a conta no fim do mês, e o cidadão comum paga para assistir a uma briga que rende voto para os dois. O que o bom senso pede é velho e continua de pé, teto duro, prestação de contas de cada centavo e o fim de um modelo que transforma imposto em combustível de quem já está lá dentro. (TSE e Agência Brasil)
A Câmara aprovou em regime de urgência um projeto que afrouxa as regras do garimpo, e fez isso com a pressa de sempre, sem deixar o texto passar pelas comissões. O plenário aprovou na quarta-feira, por 311 votos a 135 e duas abstenções, a urgência do PL 957 de 2024, que altera o Código de Mineração para acelerar autorizações e facilitar a vida do garimpo de menor porte. O relator é o deputado Joaquim Passarinho, do PL do Pará, e a votação juntou o Centrão e a oposição de um lado contra a base do governo do outro. O Observatório da Mineração e o próprio Ibram, que representa as grandes mineradoras, alertaram para a criação da Permissão de Lavra Garimpeira flutuante e para o esvaziamento da Agência Nacional de Mineração, que já opera sucateada. Aqui a régua corta o que precisa cortar. Reduzir a burocracia que trava negócio honesto é uma coisa. Abrir a porteira para o garimpo entrar em área concedida e enfraquecer a fiscalização, num país onde o garimpo ilegal já é multibilionário e abastece facção, é coisa bem diferente. Liberdade econômica de verdade não é terra sem lei, é regra clara que vale para todo mundo. Projeto que corre no apagar das luzes, sem debate aberto, quase sempre esconde quem ganha com a pressa. (Câmara dos Deputados e Agência Brasil)
O Supremo derrubou, por 6 votos a 5, a idade mínima que a reforma da Previdência criou para quem se aposenta em trabalho perigoso, e a decisão divide opinião com razão. No julgamento de quarta, o STF declarou inconstitucional o trecho do artigo 19 da Emenda 103, de 2019, que exigia idade mínima de 55, 58 ou 60 anos para a aposentadoria especial de quem passa anos exposto a agentes nocivos, como mergulhador de plataforma de petróleo e trabalhador de mina de subsolo. Venceu o voto do ministro André Mendonça, para quem obrigar o trabalhador a seguir exposto ao risco depois de cumprir o tempo máximo de exposição contraria o próprio sentido da aposentadoria especial. A régua deste canal pesa os dois pratos. Do lado humano, é difícil defender que um mergulhador continue descendo só para bater uma idade num papel, e o cuidado com quem arrisca o corpo é legítimo. Do lado fiscal e institucional, reabrir por placar apertado de tribunal um ponto que o Congresso costurou na reforma de 2019 mexe em bilhões de reais e levanta a pergunta de sempre: quem decide o tamanho do gasto da Previdência, o eleitor pelo voto ou onze ministros pela caneta? Conta de aposentadoria não se resolve no susto nem na canetada. Se a regra de 2019 ficou injusta com quem trabalha no risco, o caminho honesto era o Congresso corrigir à luz do dia. (STF e Agência Brasil)
Enquanto Brasília discutia fundão e garimpo, a conta do tarifaço começou a aparecer no número que importa, a exportação. Os dados de comércio exterior mostraram que as vendas do Brasil para os Estados Unidos caíram 14 por cento em maio, o primeiro retrato concreto do estrago da queda de braço comercial com Washington. No mesmo dia, a Bolsa caiu 2,22 por cento e o dólar voltou a passar de R$ 5,06, o recado seco do mercado sobre o clima de incerteza. A régua segue a mesma das últimas edições, sem comprar nenhum dos dois palanques. Trump usa a corrupção brasileira como pretexto para uma tarifa que castiga produtor e operário daqui, e o governo Lula transforma cada tranco externo em propaganda de vítima da soberania ferida. No meio dos dois discursos, quem perde mercado, emprego e poder de compra é o brasileiro que produz e exporta, não quem aparece na foto fazendo pose de patriota. Briga de narrativa não paga boleto. O que segura emprego é abrir mercado novo de verdade, em vez de apostar todas as fichas numa só mesa de negociação e depois posar de surpreso quando a conta chega. (Agência Brasil)
A partir de hoje, o carimbo de terrorista que os Estados Unidos colaram no PCC e no Comando Vermelho passa a valer, e a novidade é que a maioria do país gostou da ideia. Levantamentos divulgados nesta semana pelo PoderData e pela AtlasIntel mostram que cerca de 53 por cento dos brasileiros consideram a decisão americana boa para o Brasil ou aprovam a medida. O dado é honesto e merece respeito, porque retrata um povo cansado de ver facção mandar em bairro inteiro e disposto a aplaudir quem prometa enfrentá-la. Só que aplauso não prende traficante. O canal vem dizendo isso desde que o tema surgiu, e a régua não muda só porque a pesquisa veio favorável. Carimbo emitido em Washington não fecha uma boca de fumo no morro, não asfixia o caixa da facção e não bota um policial a mais na esquina. O que prende chefe de facção é inteligência financeira, integração das polícias, controle de fronteira e Estado presente no território, trabalho que é nosso e não do Salão Oval. Acreditar que a solução chega carimbada de fora é a mesma preguiça de sempre, com embalagem trocada. E você, acha que o selo americano muda alguma coisa na sua rua, ou é só mais barulho para a campanha de 2026? Comente aqui que a gente lê. (Poder360)

