Eduardo Bolsonaro virou ficha suja por pressionar juízes dos EUA, os Vorcaro continuam presos, o governo recuou no 6x1 e Lula escolheu falar de segurança pública do jeito mais torto possível.
A Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de coação no curso do processo. O colegiado, formado por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, entendeu que Eduardo praticou o crime em pelo menos nove ocasiões ao atuar nos Estados Unidos para pressionar ministros do STF e articular sanções econômicas americanas contra o Brasil com o objetivo de interferir no julgamento do pai, Jair Bolsonaro, condenado em setembro de 2025 a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe. Além da pena, Eduardo perde o cargo de escrivão da Polícia Federal e fica inelegível por oito anos após o cumprimento da sentença. Ele mora nos EUA desde fevereiro do ano passado, não apresentou advogados à Corte e foi defendido pela Defensoria Pública. Eduardo Bolsonaro é réu condenado por decisão unânime de colegiado, isso é fato, e o canal não tem nenhum problema em registrar. O ângulo que vale cobrar é o mesmo de sempre. Moraes foi relator do processo, votou pela condenação e fixou a pena, o mesmo ministro que foi alvo das pressões que originaram a denúncia. O STF julgou a coação contra si mesmo, com o principal ministro visado no centro da decisão. Processo correto, estrutura que merece atenção. (Poder360, Migalhas, MPF)
O governo retirou a urgência constitucional do projeto que acaba com a escala 6x1 depois que a pauta travou a Câmara por semanas. O PL 1838/26, enviado pelo Planalto em abril com urgência constitucional para pressionar o Congresso, vinha impedindo o plenário da Câmara de votar qualquer outra coisa. O governo só recuou depois que Hugo Motta avisou que pautaria o texto por conta própria se a urgência não fosse retirada, e formalizou a retirada durante reunião de líderes nesta terça. Com a desobstrução, a Câmara pode avançar nas três pautas que Motta queria votar antes do recesso de julho: regulamentação da inteligência artificial, aumento do teto do MEI e criminalização da misoginia. A leitura honesta do episódio é essa. O governo usou mecanismo constitucional como pressão política, travou a pauta por semanas e cedeu quando a Câmara ameaçou resolver sozinha. O projeto segue sem votação, a redução de jornada aprovada na PEC ainda está parada no Senado, e o trabalhador que aguarda o benefício prometido vai esperar mais um mês no mínimo. Promessa de campanha entregue devagar enquanto o calendário eleitoral acelera. (Agência Brasil, CNN Brasil)
A Segunda Turma do STF decidiu, por 3 votos a 1, manter na prisão o pai e o primo do banqueiro Daniel Vorcaro, investigados na Operação Compliance Zero. Henrique Vorcaro, pai de Daniel, e Felipe Cançado Vorcaro, primo, estavam presos preventivamente por suspeita de auxiliar na ocultação de recursos do esquema do Banco Master. André Mendonça foi o relator, seguido por Luiz Fux e Nunes Marques. Gilmar Mendes ficou vendido, pedindo prisão domiciliar para o pai, com o argumento de que a prisão não pode ser usada para forçar delação, Daniel está em tratativas com a PGR. Dias Toffoli ficou de fora por impedimento, depois de reconhecer no início do ano ser sócio de resort comprado por fundo controlado pelo próprio Master. O caso segue dentro dos fatos formais da investigação federal: prisões preventivas decretadas por relator, referendadas por maioria de turma. A ressalva permanente deste canal é de estrutura, não de resultado. Instrução criminal toda concentrada num tribunal que é o juiz final de qualquer recurso dos mesmos réus continua sendo uma configuração que vale cobrar, independente de quem está na cadeia. (Correio Braziliense, Agência Brasil)
Lula afirmou que os brasileiros têm medo de ir a delegacias porque não sabem "que tipo de delegado" vão encontrar, e diversas associações de policiais responderam com notas de repúdio. A fala foi feita na semana passada durante o Conselhão, quando o presidente apresentou um programa federal para estimular a devolução de celulares roubados via Correios. A Adepol classificou a declaração como "inadequada, injusta e descontextualizada". O Sindesp-SP disse que a fala "desconsidera os relevantes serviços prestados pelas Polícias Civis". A Cobrapol também se manifestou. O problema não é o programa de devolução de celular, que pode ser útil. O problema é o diagnóstico que o presidente oferece publicamente sobre as forças de segurança enquanto tenta convencer o eleitorado de que governa. Criticar a estrutura policial como intimidadora do cidadão é um atalho retórico que corrói exatamente a autoridade que o Estado precisa para funcionar. Presidente que quer fortalecer a segurança pública não começa o argumento dizendo que a população teme os policiais. Começa com orçamento, treinamento e salário. (Poder360, Gazeta do Povo)
A pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça mostra Lula abrindo 13 pontos sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno — 41,8% a 28,2% — e 12,5 pontos num eventual segundo turno, 49,3% a 36,8%. O levantamento, com 2.002 entrevistas realizadas entre 10 e 14 de junho e registrado no TSE sob BR-04256/2026, mostrou também que, pela primeira vez em meses, a aprovação do governo superou a desaprovação: 35,3% contra 34,4%. No mesmo dia, o Real Time Big Data apontou Renan Santos com 10% das intenções de voto em São Paulo, único nome da corrida a crescer de forma expressiva no estado desde março, quando marcava 2%. Dois movimentos acontecem ao mesmo tempo. A polarização ainda vence nos números gerais, mas o mapa eleitoral começa a mostrar onde a saturação abre brecha. O campo dos dois polos tradicionais avança quando a conjuntura produz crise, e o caso Master beneficiou quem estava longe da tormenta. O campo que propõe alternativa avança onde a polarização cansa primeiro. Eleição longe de decidida. (CNN Brasil, Estado de Minas)
O Congresso debate nos próximos dias o PL que equipara misoginia ao crime de racismo, tornando a conduta inafiançável e imprescritível, com relatório de Tabata Amaral votado no grupo de trabalho nesta terça. A proposta, aprovada no Senado por unanimidade em março, define misoginia como menosprezo ou discriminação contra mulheres que promova violência, negue igualdade de direitos ou ofenda a dignidade feminina, com pena de até cinco anos. O texto segue para o plenário da Câmara antes do recesso de julho. Combater discurso de ódio contra mulheres é pauta necessária e atrasada. A questão que a tramitação vai revelar é se a redação final vai ser precisa o suficiente para funcionar como proteção real ou vai terminar como mais um texto simbólico cuja aplicação depende do humor da interpretação judicial em cada caso. Boa lei é a que o delegado aplica no plantão, não só a que o ministro cita em entrevista. (CartaCapital, Câmara dos Deputados)

