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A terça-feira foi de instituição trabalhando em três frentes que mexem com o eleitor jovem. Uma comissão do Senado aprovou internação de até dez anos para adolescente que comete crime grave. Alexandre de Moraes autorizou um general condenado pela trama golpista a prestar o Enem para abater pena. E uma nova pesquisa colocou Flávio Bolsonaro de volta à frente de Lula, num momento em que um nome de fora dos dois polos começou a aparecer no pelotão da frente. São três fatos diferentes, com a mesma pergunta no fundo de cada um. Que país a gente quer que saia da urna em outubro.

A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou internação de até dez anos para adolescente que pratica ato grave, o dobro do teto de cinco anos que o mesmo texto já fixa para os demais casos. O projeto é de Marcos do Val, do Podemos, recebeu um substitutivo de Marcio Bittar, do PL, e altera o Estatuto da Criança e do Adolescente para casos de violência, grave ameaça ou ato equivalente a crime hediondo. Junto com o aumento do prazo, o texto acaba com a soltura automática aos 21 anos, exige audiência de custódia em até 24 horas e passa a rever a internação provisória a cada 90 dias. A proposta segue agora para a CCJ em caráter terminativo, ou seja, pode virar lei sem passar pelo plenário do Senado.

O incômodo de quem perde uma filha para um homicídio brutal cometido por alguém de 17 anos é real, e dizer que o limite de três anos de internação dá conta de um caso desses é fugir da conversa. Endurecer a resposta para os atos mais graves é defensável. O detalhe que quase ninguém conta é que isso aqui não é briga de esquerda contra direita. O autor de um projeto quase idêntico, já aprovado e parado na Câmara, é Fabiano Contarato, do PT. Quem puxou o aperto na comissão inclui Sergio Moro, do PL. Quando petista e lavajatista assinam embaixo da mesma tese, o problema deixa de ser ideológico e vira de entrega. O Congresso tem três ou quatro textos parecidos empilhados, todos aprovados em comissão e nenhum votado em definitivo, porque pauta de segurança rende foto e discurso o ano inteiro e não custa nada deixar parada. Pena no papel não prende ninguém. Sem unidade de internação que recupere de verdade, sem inteligência e sem execução séria, a lei nova só troca de número e continua na gaveta. A cobrança que vale é simples. Votem e tratem segurança como política de Estado, não como vitrine de comissão em ano eleitoral. (Agência Senado)

Alexandre de Moraes autorizou o general da reserva Paulo Sérgio Nogueira, condenado a 19 anos pela trama golpista, a se inscrever no Enem para reduzir a pena por meio do estudo. Paulo Sérgio foi comandante do Exército e ministro da Defesa de Jair Bolsonaro, está preso em regime fechado no Comando Militar do Planalto desde novembro e tem 67 anos. A defesa pediu, Moraes deferiu citando a Lei de Execução Penal, que desde 1984 prevê a remição, o mecanismo que abate um dia de pena a cada três dias de estudo. Vale para qualquer pessoa privada de liberdade no país.

Esse é o tipo de decisão que faz os dois lados gritarem por motivos opostos, e os dois estão errados. De um lado, a turma que chama tudo de perseguição vai chamar isso de mordomia. Do outro lado, quem comemora a cadeia do general vai torcer o nariz para a ideia de ele estudar. Acontece que remição por estudo não é favor, é regra, e a mesma regra que vale para o ladrão de celular vale para o ex-ministro da Defesa. Tirar de um réu específico um direito que existe para todos os presos seria casuísmo, e casuísmo é exatamente a doença que levou esse país ao 8 de janeiro. A lei que Paulo Sérgio tentou rasgar é a que agora o trata como qualquer outro condenado. É feio de engolir para quem queria vingança, mas é assim que se mostra que a lei vale para todo mundo, inclusive para quem atentou contra ela. (Jornal de Brasília)

A pesquisa Gerp divulgada nesta terça mostrou Flávio Bolsonaro com 44,7% contra 39,1% de Lula num eventual segundo turno, sinal de que o impulso que o presidente teve depois do áudio do caso Master murchou. O levantamento ouviu 2.000 eleitores entre 2 e 5 de junho, tem margem de 2,2 pontos e registro no TSE. Nos cenários contra Romeu Zema e Ronaldo Caiado, Lula ainda leva a melhor, o que mantém a leitura de sempre. A polarização entre o petismo e o clã segue dominando o jogo, e o resto da direita patina para sair do chão.

O resto, mas não tudo. Enquanto Lula e Flávio trocam a liderança a cada nova pesquisa, o único número que vem subindo de baixo para cima é o de um pré-candidato que começou novembro com 2,4% e hoje, segundo análise do colunista Tales Faria, já encosta em Caiado e Zema, dois ex-governadores com máquina e tempo de estrada. Os adversários tentam colar nele o rótulo de Marçal ou de Bolsonaro, e o aliado mais próximo rebate dizendo que a diferença é ter projeto em vez de fome de poder. A régua que interessa aqui não é a do apelido, é a do conteúdo. O Brasil de 200 milhões de pessoas merece mais do que escolher entre o homem que governou três vezes e o herdeiro de um sobrenome. Se existe alguém oferecendo proposta no lugar de selfie, o teste virá nos debates de agosto, e é lá que a conversa fica séria. Você acha que 2026 ainda é coisa de dois nomes, ou já cabe um terceiro caminho na disputa? Comente aqui que a gente lê. (Poder360)

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