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A Polícia Federal bateu na porta de um desembargador acusado de vender decisão judicial, o dono do Banco Master voltou a oferecer delação depois de a primeira ser recusada por poupar gente graúda, e a maior feira do agro abriu na Bahia transformada em comício antecipado dos dois lados. Três fatos, a mesma cobrança, sem torcida para ninguém.

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira a operação Gemini, que mira um desembargador afastado e um deputado estadual do PL por suspeita de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Os alvos são o desembargador Dirceu dos Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Castro, investigados por corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro, com quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático. Dirceu já estava afastado desde março, por decisão do CNJ, depois que apareceu uma variação patrimonial de R$ 14,6 milhões em cinco anos sem renda compatível para explicar. A apuração aponta cerca de R$ 3,2 milhões em depósitos e saques sem justificativa, com dinheiro que teria saído de empresas do agronegócio com disputas de terra correndo no próprio tribunal. Faissal, que foi assessor do magistrado antes de virar deputado, entregou o celular à PF e nega tudo. A leitura aqui é simples e vale para qualquer um que apareça nesse tipo de inquérito. Toga não é blindagem, e a presunção de inocência precisa valer tanto para o réu pobre quanto para quem decide a sorte dele lá de cima. Se a investigação provar o que aponta, a punição tem que ser exemplar justamente porque o crime é mais grave quando quem o comete deveria ser o guardião da lei. O que ninguém deveria aceitar é o roteiro de sempre, afastamento por aqui, recurso por ali e prescrição no fim da fila. (Poder360)

A defesa de Daniel Vorcaro apresentou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal e à PGR, e os investigadores devem decidir ainda nesta semana se reabrem a negociação depois de terem rejeitado a primeira tentativa. A oferta anterior do dono do Banco Master foi recusada em maio por ser considerada seletiva e omissa, com poucos fatos novos e nenhuma admissão de irregularidade. Em bom português, a primeira versão tentava negociar redução de pena entregando o mínimo e protegendo nomes influentes nos três Poderes. Agora os investigadores cobram três coisas para seguir adiante: provas concretas, confissão do que de fato aconteceu e ressarcimento à altura do rombo, estimado na casa dos bilhões. Vorcaro segue preso preventivamente desde março, na superintendência da PF em Brasília, e o caso está sob o ministro André Mendonça no Supremo. Vale a régua de método de sempre, ele responde a processo em curso e as autoridades citadas negam irregularidades, então nada de carimbar culpado quem ainda não foi condenado nem denunciado. Dito isso, a posição do canal é clara. Delação não é cardápio onde o investigado escolhe quem entrega e quem salva. Ou colabora de verdade, com nome, data e documento, ou não há acordo, e quem quer mesmo passar o país a limpo deveria estar torcendo por uma investigação técnica e silenciosa, não por uma CPMI desenhada para render palanque em ano de eleição. (CNN Brasil)

A 20ª Bahia Farm Show abriu nesta segunda-feira em Luís Eduardo Magalhães com Geraldo Alckmin representando Lula e anunciando R$ 21,1 bilhões em crédito para renovação de frota, enquanto os pré-candidatos da oposição já marcaram presença na mesma feira. O evento, que vai até o dia 13, é a maior vitrine do agro no Matopiba e virou termômetro político a quatro meses da urna. O Planalto manda o vice para acenar com o Plano Safra, seguro rural e renegociação de dívidas num oeste baiano que deu vitória a Bolsonaro em 2022, mesmo com Lula ganhando o estado. Do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro tem agenda na feira nesta terça e Ronaldo Caiado também é esperado, os dois já em campanha. O incômodo não é o crédito, que o produtor precisa e merece. O incômodo é o calendário. Anúncio bilionário do governo no palco principal e caravana de pré-candidato no corredor ao lado, tudo embrulhado em discurso de quem ama o campo, quando boa parte ali só enxerga voto. O produtor sério faz conta o ano inteiro e sabe diferenciar política pública de propaganda. Para o eleitor de 18 a 35 anos que não vive da soja, fica o lembrete de que a safra de promessa rende muito em junho e murcha depois de outubro. Enquanto Lula e a família Bolsonaro disputam o trator, há quem tente furar essa bolha de dois nomes oferecendo proposta no lugar de selfie, e é nessa fresta que mora a única novidade real de 2026. (Poder360)

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