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Em 24 horas a oposição que blindou Bolsonaro descobriu a autonomia da PF, Lula bateu de frente com a regra do próprio Senado e o país disse que está cansado da guerra entre os poderes.

Líder do PL protocola requerimento para que o diretor da PF explique a troca de delegado no caso que mira Lulinha. Sóstenes Cavalcante protocolou nesta segunda-feira, na Comissão de Segurança Pública da Câmara, um pedido para convocar o diretor-geral Andrei Rodrigues e explicar por que o inquérito das fraudes no INSS saiu da divisão que quebrou o sigilo de Fábio Luís Lula da Silva e foi parar na coordenação dos casos com foro no Supremo. A régua deste canal vale aqui inteira. Trocar a chefia de uma investigação que respinga no filho de quem está no poder, em momento sensível, exige explicação imediata à sociedade, e o ministro relator André Mendonça também cobrou esclarecimentos, sinal de que o incômodo não é só de oposição. O detalhe que escancara o problema é outro. O mesmo PL que defendeu Jair Bolsonaro quando ele mexeu na cúpula da PF para proteger gente próxima agora descobriu a autonomia da corporação da noite para o dia. Quem captura a polícia quando governa não tem moral para cobrar autonomia quando está na oposição, e quem só lembra da regra quando é conveniente está fazendo o mesmo jogo, só do outro lado do balcão. (Poder360)

Lula sinaliza a aliados que vai reenviar Jorge Messias ao STF, mas a regra do próprio Senado proíbe nova análise ainda em 2026. O caso do advogado-geral da União, que abriu a edição #0007 da nossa newsletter, e que foi rejeitado por 42 votos a 34 no fim de abril, ganhou novo desdobramento. O Ato da Mesa nº 1, de 2010, veda apreciar na mesma sessão legislativa um nome derrubado pelo plenário, ou seja, Messias só poderia voltar à pauta em fevereiro de 2027. Foi a primeira vez em mais de 130 anos que o Senado recusou uma indicação presidencial ao Supremo, e Lula trata o episódio como emboscada política, não como rejeição ao nome. A cadeira está vazia há mais de seis meses, sendo usada como moeda nos dois lados. De um lado, um presidente que insiste no mesmo nome contra a regra escrita da Casa e prolonga o vácuo por teimosia. Do outro, um Senado que decide vaga de Suprema Corte em voto secreto e a transforma em mercadoria de barganha com o Planalto. Como já dissemos aqui, trocar o nome do indicado é cosmética. Trocar o método é que seria política, e ninguém dos dois polos quer mexer no método. (InfoMoney)

Datafolha mostra que 70% dos brasileiros veem mais confronto do que cooperação entre o governo Lula e o Congresso, e 89% acham isso ruim para o país. A pesquisa divulgada nesta segunda ouviu 2.004 pessoas entre 12 e 13 de maio, com registro no TSE, e aponta o ápice do desgaste justamente na rejeição de Messias. No mesmo levantamento, 39% classificam a gestão como ruim ou péssima. O recado da rua é mais lúcido que o discurso dos dois lados. O eleitor enxerga o que Planalto e Centrão fingem não ver, que a polarização travada não é divergência de projeto de país, é disputa de poder entre o PT no governo e o Centrão dono do Congresso, cada um sabotando o outro enquanto a conta sobra para quem trabalha. Quando quase nove em cada dez pessoas dizem que essa briga faz mal ao Brasil, o problema deixou de ser de um governo ou de uma oposição. Virou método dos dois. (Poder360)

Presidente da comissão do fim da escala 6x1 prevê votação expressiva e relator deve apresentar o parecer ainda nesta semana. Em entrevista nesta segunda, Alencar Santana confirmou que Leo Prates fecha a primeira versão do texto com Hugo Motta nos próximos dias, com parecer previsto para quarta e plenário mirado em 27 de maio, em continuidade ao cronograma que registramos na #0017 e na #0018. A pesquisa Genial/Quaest aponta 68% de apoio ao fim da escala, e a oposição já promete obstrução e pedido de vista para empurrar a votação. Reduzir uma jornada que esgota o trabalhador é pauta legítima, e dizer isso não é endossar a coreografia eleitoral em volta dela. O governo redescobriu o tema a cinco meses da urna, depois de anos sem prioridade, e parte da oposição responde com emendas que esticam a transição para dez anos, o que na prática é enterrar a mudança fingindo aprová-la. Quem vota a favor por cálculo e quem obstrui por cálculo estão usando a folga do garçom e da caixa de supermercado como peça de campanha. (Correio Braziliense)

A Operação Compliance Zero completou seis meses com 21 prisões, bloqueio de R$ 27,7 bilhões e diretores do Banco Central e policiais federais dentro da teia de Vorcaro. O balanço de segunda-feira fecha seis fases até 14 de maio no que a PF chama de maior fraude já vista contra o Sistema Financeiro Nacional, com alvos que vão de servidores que deveriam fiscalizar bancos a agentes da própria corporação, passando pelo irmão do senador Ciro Nogueira, que ficou com tornozeleira. Esse é o arco que este canal acompanha desde a estreia, e o ponto não muda. A fraude desse tamanho não para de pé com um homem só. Ela só existiu porque regulador, polícia e político dos dois campos estavam dentro dela ou perto dela. Seis meses depois, a pergunta para o eleitor de 18 a 35 anos não é qual polo é menos sujo. É porque o sistema deixou um banqueiro tecer essa rede no centro do Estado, e se as instituições que agora correm atrás dele são as mesmas que o deixaram crescer. (Agência Brasil)

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