Em 24 horas o Congresso fez três jogadas pelo sistema, o Gaeco fez uma pelo país e o STF entregou Ferrogrão como pediu Gilmar Mendes no WhatsApp.
Alcolumbre se recusa a ler cinco requerimentos de CPMI do Banco Master e diz que a leitura é "ato discricionário" da presidência da Mesa do Congresso. O caso Master, que esta newsletter acompanha desde a edição de estreia e cujo bloqueio na Câmara foi coberto na #0021 quando Hugo Motta descartou de novo a CPI, ganhou nesta quinta o terceiro bloqueio institucional em três meses. Os cinco requerimentos foram apresentados por base governista e oposição, fato relevante porque escancara que a investigação parlamentar encosta nos dois polos. Alcolumbre pediu "desculpas" do plenário e justificou que a leitura de requerimento é prerrogativa exclusiva da presidência. Vale a régua que esta newsletter mantém desde a #0007 e reforçou na #0021. O mesmo presidente do Senado apontado como articulador do acordão Alcolumbre-Moraes-Flávio Bolsonaro contra a indicação de Messias agora barra a investigação parlamentar do banqueiro que aparece nos áudios do senador do PL. Não é um lado nem o outro. É o mesmo sistema operando no automático. (Correio Braziliense)
Congresso derruba quatro vetos de Lula à LDO de 2026 e libera doações de bens, dinheiro e benefícios a municípios em pleno período eleitoral. Na mesma sessão da quinta em que barrou a CPMI do Master, o Congresso reverteu vetos presidenciais a quatro pontos da Lei de Diretrizes Orçamentárias. O governo costurou acordo para a derrubada de três (repasses a inadimplentes até 65 mil habitantes, exceções para rodovias e hidrovias) e pediu para a base votar contra a quarta (doações em período eleitoral), e perdeu mesmo assim. Hugo Motta defendeu emendas no palco da Marcha dos Prefeitos na véspera e criticou a "criminalização" do mecanismo. A régua do canal é simples. A Lei Eleitoral proíbe doação de bens, dinheiro ou benefícios em ano de pleito pelo motivo mais óbvio do mundo, que é evitar compra de voto com dinheiro público. A mesma sessão que blindou a CPMI do Master autorizou tratores, equipamentos e cestas básicas na boca do palanque a cinco meses da urna, com PT votando a favor em três dos quatro pontos e PL aplaudindo em todos. (CNN Brasil)

A influenciadora Deolane Bezerra, em registros após sua primeira prisão, no Recife (PE) em 2024.
Operação Vérnix prende a advogada e influenciadora Deolane Bezerra após bilhetes apreendidos em 2019 levarem o Gaeco até uma engrenagem milionária de lavagem do PCC. A operação do Gaeco de Presidente Prudente, chefiada pelo promotor Lincoln Gakiya que está com morte decretada pelo PCC há 20 anos, cumpriu seis mandados de prisão preventiva nesta quinta. Entre os alvos, Marcola (já encarcerado), um irmão e dois sobrinhos do líder máximo da facção, o operador financeiro Everton de Souza (vulgo Player) e Deolane Bezerra, advogada com mais de 20 milhões de seguidores nas redes. Os investigadores afirmam que ela recebia valores via transportadora ligada à família Camacho e ocupava posição em engrenagem financeira milionária de lavagem. A influenciadora estava em Roma quando a operação foi deflagrada, e chegou a ser cogitada uma prisão na Itália via Difusão Vermelha da Interpol. A régua do canal sobre segurança pública vale aqui. O PCC já não é só o tráfico armado da quebrada que aparece na cobertura do jornal das oito. É máquina de lavagem capaz de operar pela conta de uma advogada com audiência de 20 milhões. Gakiya chama isso de "nova face do PCC", e o eleitor de 18 a 35 anos que ainda enxerga facção como algo confinado a CDD ou a Capão Redondo precisa atualizar a régua. (CNN Brasil)
STF valida a Ferrogrão por 9 a 1 menos de 24 horas depois do vazamento em que Gilmar cobrou Fachin justamente pela paralisia daquele processo. O plenário do Supremo declarou na tarde de quinta a constitucionalidade da Lei 13.452/2017, que reduziu o Parque Nacional do Jamanxim para viabilizar a ferrovia ligando Sinop (MT) a Itaituba (PA). Voto do relator Alexandre de Moraes, acompanhado por oito ministros, com divergência parcial só de Flávio Dino. A decisão saiu menos de 24 horas depois da reportagem da Gazeta do Povo coberta na edição #0022 desta newsletter, em que o decano acusava o presidente da Corte de aplicar "filibuster" na paralisação de quatro processos do plenário, sendo a Ferrogrão um deles. A tese editorial não trata do mérito da obra (estratégica para escoamento de soja e milho) nem da redução do parque (compatibilizada pela compensação prevista no voto). O ponto é o timing. Quando o tribunal entrega o processo que o decano cobrou por mensagem privada vazada na véspera, e quando os ministros admitem internamente que precisam fazer "correção de rumos" antes do novo Senado eleito em outubro, conforme detalhou a reportagem que abriu a #0022, a régua institucional já se inverteu. Esta newsletter argumentou na quinta que o STF se move sob pressão da eleição. A entrega de Ferrogrão na sexta confirma a tese. (Migalhas)
Movimento que reúne CNBB, OAB e entidades da Polícia Federal classifica como "grave retrocesso" a minirreforma eleitoral aprovada por votação simbólica enquanto Hugo Motta nem presidia mais a sessão. A nota de repúdio do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, que congrega mais de 70 organizações da sociedade civil, ganhou corpo nesta quinta enquanto o Senado se prepara para receber o PL 4822/2025, aprovado de forma simbólica na noite de terça pela Câmara. Os pontos críticos do texto são todos do mesmo manual. Teto de R$ 30 mil para multas (antes 20% do valor devido), parcelamento de dívidas partidárias em até 15 anos, proibição de penhora dos fundos Partidário e Eleitoral inclusive em ações trabalhistas e penais, autorização do envio de mensagens em massa por sistemas automatizados a eleitores cadastrados, aplicação retroativa a contas já julgadas, e nenhum registro nominal de votos para identificar quem aprovou o quê. A régua do canal aqui é geométrica. A lei beneficia todos os partidos sem exceção. PT, PL, PSD, União, MDB, Centrão, oposição. Quando o sistema unanimemente vota por blindar o próprio bolso a cinco meses da eleição, e quando o presidente da Câmara nem precisa estar presidindo a sessão para o texto passar, a "votação simbólica" não é detalhe processual. É estratégia. Ninguém quer aparecer no painel. (Correio Braziliense)

