This website uses cookies

Read our Privacy policy and Terms of use for more information.

Brasília parou no fim de semana, mas o jogo do dinheiro e do foro rodou solto, com o Judiciário discutindo o próprio salário, Flávio querendo escolher juiz, a Europa fechando a porta da carne e o antissistema liderando a fila do fundão.

Fachin assina portaria e cria grupo para fazer pente-fino nos penduricalhos que furam o teto salarial do Judiciário. O teto do funcionalismo é de R$ 46.366 por mês, mas as verbas chamadas de indenizatórias empurram contracheques de juízes para muito além disso, e em março o próprio Supremo liberou ganhos de até 70 por cento acima do limite, algo perto de R$ 78 mil. No mesmo fim de semana, um ministro do STJ que recebe R$ 141 mil declarou que o valor não está "à altura" do cargo. O movimento de Fachin é bem-vindo e o diagnóstico é honesto, mas soa estranho prometer faxina seis meses depois de o próprio CNJ ter criado um auxílio novo de 3 por cento por filho pequeno, fora do que o Supremo tinha definido. Enquanto o trabalhador que ganha salário mínimo paga imposto embutido até na conta de luz, parte da elite togada debate se R$ 141 mil é pouco. (Poder360)

Flávio Bolsonaro pede ao STF que declare Alexandre de Moraes suspeito para julgar o caso do Banco Master. O senador e pré-candidato à Presidência, citado na delação que detalhou o filme Dark Horse e que nega qualquer irregularidade, tenta agora tirar do caminho o ministro relator antes que o processo avance. Do outro lado, o ministro Fernando Haddad afirmou no sábado que Flávio "é um cara muito ligado à turma do Vorcaro", o petista Lindbergh Farias disse que o dinheiro do Dark Horse está na mira da Polícia Federal, e deputados governistas viajaram aos Estados Unidos para pedir investigação contra o senador. A leitura limpa vale para os dois lados. Flávio quer escolher o juiz que lhe convém, e o PT transforma em arma de campanha um escândalo que respinga em nomes próximos do próprio governo, indo buscar plateia lá fora exatamente como acusa a família Bolsonaro de fazer. Quem precisa de juiz sob medida e de palco estrangeiro para discutir o caso é porque já perdeu a discussão sobre os fatos. (Poder360)

Pesquisa Vox aponta que Lula é rejeitado por 49,2% e Flávio Bolsonaro por 48,3% dos eleitores. O levantamento, com 2.100 entrevistados entre 1º e 3 de junho e registrado no TSE, mostra os dois nomes que monopolizam a conversa de 2026, com quase metade do país dizendo que não votaria neles de jeito nenhum. Aécio Neves aparece com rejeição menor, de 41,3 por cento, o que fala mais sobre o desgaste dos favoritos do que sobre entusiasmo com o tucano. O dado que interessa ao jovem eleitor é direto. A polarização vendida como destino inevitável já soma rejeição perto de 100 por cento, e mesmo assim o debate insiste em girar só em torno dela. Está na hora de cobrar proposta de quem quer o voto, em vez de aceitar a escolha forçada entre dois nomes que metade do Brasil recusa. (Poder360)

União Europeia oficializa o veto à carne brasileira a partir de 3 de setembro e coloca em risco cerca de R$ 9 bilhões por ano em exportações. O bloco, que é o segundo maior comprador de carne do Brasil, tirou o país da lista de fornecedores autorizados alegando falta de garantias sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. O ponto incômodo aqui não é a exigência europeia, que é discutível e que o setor contesta com argumentos de peso. O problema é que o prazo de 3 de setembro estava posto desde 2024, e o governo, que jurou ter sido pego de surpresa em maio, só correu para Bruxelas e Paris depois que a porta bateu. A Faesp já foi a público cobrar pulso mais firme da diplomacia. Gestão séria do Estado é tratar do problema que tem data marcada no calendário, não improvisar reunião de emergência quando o estrago já saiu publicado no diário oficial europeu. (Poder360)

O PL superou o PT em emendas parlamentares empenhadas no primeiro semestre de 2026 e comanda o maior fundo eleitoral do país. O mesmo partido que se vende como voz contra o sistema é hoje quem mais executa verba de emenda, e a fatia que abocanhou do fundo eleitoral, sozinha, supera o orçamento anual de 96 por cento dos municípios brasileiros. Nada disso é ilegal, mas é revelador. A direita que prometeu enxugar a máquina aprendeu a operar a torneira do dinheiro carimbado melhor do que muita gente, e o PT, que critica o Centrão da boca para fora, divide a mesma fila sem corar. Para quem comprou o discurso antiestablishment lá atrás, fica a pergunta que ninguém da turma gosta de responder. O que muda na prática quando o suposto antissistema se torna o maior usuário do sistema? (Poder360)

Comentários

Avatar

or to participate

Artigos relacionados