Lula desembarca em Washington e senta nesta quinta com Trump na Casa Branca para tratar de tarifas, terras raras e crime organizado. O presidente brasileiro chegou ontem à noite à capital americana com cinco ministros e o diretor-geral da PF, e cumpre nesta quinta agenda única na Casa Branca, com reunião de trabalho às 12h15 no horário de Brasília, almoço oficial e coletiva à tarde na embaixada. A pauta combina tarifaço sobre exportações brasileiras, classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo Trump, minerais críticos, Pix e a guerra no Oriente Médio. O canal já registrou nas edições #0008 e #0010 o ponto que importa, mas vale a recomposição. Lula passou todo 2025 transformando Trump em vilão de palanque, retirou credenciais de agente americano em retaliação à expulsão do delegado que prendeu Alexandre Ramagem em Orlando e agora vai ter que caber no aperto de mão de hoje. Do outro lado, Flávio Bolsonaro voou a Miami às vésperas do encontro para vender lealdade ao bolsonarismo americano e finge agora que a aproximação é traição. Os dois polos vendem o mesmo produto, com embalagem trocada conforme convém. (CNN Brasil)
Renan Santos cumpriu duas horas e meia no Inteligência Ltda. e a análise da entrevista saiu ontem aqui na publicação. O pré-candidato apresentado pelo Missão como alternativa fora do par Lula e Flávio Bolsonaro entregou no canal de Rogério Vilela tese geracional sobre o esgotamento dos últimos vinte anos, defendeu lei e ordem como pré-condição operacional para qualquer outra reforma, esboçou programa industrial em torno de terras raras nos moldes do que a Coreia do Sul fez nos anos 70 e bateu com a mesma intensidade no PT e no bolsonarismo. A entrevista cravou pico de 43 mil pessoas ao vivo, marca parecida com a do próprio Flávio Bolsonaro no mesmo programa. O ponto que a análise do canal sustenta é simples. O eleitor que reclama do binarismo Lula contra Flávio precisa, antes de qualquer voto, sentar e comparar tese contra tese, com o mesmo nível de exigência cobrado de todos, do Caiado ao Aldo Rebelo passando por Zema e pelo campo Bolsonaro. Não é endosso, é observação. Política brasileira só sai do beco quando o eleitor leva a sério o trabalho de comparar. (Paciência Tem Limite)
Câmara aprova marco dos minerais críticos na véspera do encontro de Lula com Trump, com fundo de R$ 5 bilhões e conselho de veto sobre novas operações. Em votação simbólica na noite desta quarta, a Casa aprovou o texto-base do PL 2780/24, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, um fundo garantidor com aporte da União limitado a R$ 2 bilhões, crédito tributário de R$ 5 bilhões e um conselho especial com poder de veto sobre futuras vendas. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), patrocinou o avanço acelerado do texto, que ainda passa pelo Senado, e classificou os minerais críticos como o novo petróleo. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, com cerca de 21 milhões de toneladas, atrás só da China, e a votação aconteceu poucos meses depois de a americana USA Rare Earth comprar a mina Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões. O ponto incômodo é o roteiro. O mesmo Hugo Motta que esta newsletter registrou na edição #0008 fazendo carona em jato de magnata de bets voltando de paraíso fiscal aprovou nesta quarta, em sessão simbólica e a toque de caixa, o marco que vai pesar diretamente na cadeira de negociação de Lula em Washington. Não cabe celebrar soberania da terra rara sem perguntar quem vai operar o conselho que decide quem extrai. (O Tempo)
Alcolumbre diz que não tem nada a esperar do governo após rejeição de Messias e sinaliza que cadeira no STF fica em aberto. O presidente do Senado deu nesta quarta-feira declaração curta e direta ao ser questionado sobre os movimentos do Planalto depois da derrota histórica do advogado-geral da União na semana passada. "Eu tenho que esperar alguma coisa? Não tenho que esperar nada", afirmou em conversa registrada por O Globo, e repetiu a frase ao ser perguntado se acredita em nova indicação de Lula ainda em 2026. Nos últimos dias, ministros como José Múcio (Defesa) e José Guimarães (líder do governo na Câmara) tentaram costurar reaproximação, mas Alcolumbre fechou a porta. A vaga deixada por Roberto Barroso completa em 11 de novembro um ano em aberto, e a Corte segue com dez ministros e pelo menos 14 julgamentos virtuais suspensos por empate. O canal mantém a régua das edições #0005 e #0010. Quando o presidente do Senado pode trancar uma cadeira vitalícia no Supremo na gaveta por meses para arrancar carga partidária do Palácio, o problema deixou de ser o nome do indicado e passou a ser o desenho do método de escolha. Em 2026, com até quatro vagas potencialmente em jogo nos próximos quatro anos, quem vencer a eleição vai redesenhar a Corte por canetada e voto secreto. Reformar o caminho da escolha não é tema lateral, é o ponto. (Brasil 247, com base em apuração de O Globo)
Defesa de Vorcaro entrega proposta formal de delação à PF e à PGR e caso Master entra na fase decisiva. Os advogados do dono do Banco Master apresentaram nesta terça à Procuradoria-Geral da República e à Polícia Federal a proposta de colaboração premiada, encerrando o impasse de mais de um mês registrado na edição #0011 desta newsletter. O documento corre em sigilo, e as autoridades vão analisar o conteúdo, podem pedir complementos, marcar novo depoimento e ouvir pessoas apontadas antes de discutir os benefícios. A homologação final cabe ao ministro André Mendonça, do STF. A proposta deve incluir o cunhado Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro, e a expectativa formal é que Vorcaro entregue políticos e magistrados envolvidos no rombo. A régua do canal segue a mesma desde a edição de estreia. Os R$ 40 bilhões em multa oferecidos pelo banqueiro não substituem ressarcimento ao BRB e ao FGC, e quem entrega proposta depois de dois meses na mesa do relator está calculando, não colaborando. Cabe à PGR amarrar o acordo ao tamanho do rombo, e não ao tamanho da resistência da defesa. (Brasil de Fato)
Tarcísio fecha chapa em São Paulo com Ramuth na vice e Eduardo Bolsonaro como suplente do PL ao Senado morando nos Estados Unidos. O governador anunciou na terça a manutenção de Felício Ramuth (MDB) como pré-candidato a vice-governador na disputa pela reeleição e oficializou a chapa ao Senado com Guilherme Derrite (PP), ex-secretário da Segurança Pública, e André do Prado (PL), presidente da Assembleia paulista. Eduardo Bolsonaro, autoexilado nos Estados Unidos há mais de um ano e cassado por excesso de faltas, abriu mão da própria candidatura para liberar Prado e ocupará a primeira suplência da vaga, mesmo sem residir no Brasil. A chapa une PL, PP, MDB e Republicanos no maior colégio eleitoral do país. O recado da montagem é simples. O estado com 22% do eleitorado nacional vai entrar em outubro com vice de Kassab travestido de MDB, candidato ao Senado saído do gabinete da segurança pública e segundo nome decidido em Orlando por um ex-deputado que perdeu o mandato por não comparecer. Não há novidade política. Há um arranjo de quatro partidos que se apresentam como direita reformista, enquanto operam a engenharia eleitoral mais centrão da década. (Gazeta do Povo)
Força-tarefa deflagra Operação Labor Fictus contra fraude no Seguro-Desemprego com 69 empresas fictícias e quase 1.200 requerimentos contaminados. Força-tarefa do Ministério do Trabalho e Emprego com a Polícia Federal de Maringá cumpriu nesta quarta-feira dez mandados de busca e apreensão no Paraná e na grande São Paulo contra organização criminosa especializada em fraudar o benefício. As investigações identificaram quase 1.200 pedidos contaminados, ligados a 69 empresas fictícias criadas com o único objetivo de gerar contracheques falsos para sacar Seguro-Desemprego em nome de pessoas que nunca trabalharam ali. Foram a campo 40 policiais federais e quatro servidores da inteligência trabalhista da pasta. O ponto que essa operação repete pela enésima vez é o mesmo. Enquanto o Congresso debate o fim da escala 6x1 com cronograma para 26 de maio em ato de campanha, e o Planalto faz cadeia nacional para vender renegociação de cartão de crédito, fraudadores montam empresas de papel para sangrar o seguro do trabalhador real, e o Estado só descobre quando a CGINT liga as pontas. Defender o trabalhador honesto começa por proteger o caixa que paga o Seguro-Desemprego, antes de qualquer encenação no microfone presidencial. (Ministério do Trabalho e Emprego)

