Em 24 horas, Planalto sanciona endurecimento de penas mas veta o trecho mais duro contra roubo, Amazonas escolhe governador em sessão fechada de 24 deputados e Lula confirma viagem para se sentar com Trump em Washington
Lula sanciona endurecimento de penas para furto, roubo e receptação, mas veta justamente o pedaço mais pesado do projeto. A Lei 15.397, publicada nesta segunda no Diário Oficial, eleva a pena de furto simples para até seis anos, dobra a punição da receptação, cria pena específica de quatro a dez anos para furto ou roubo de celular, computador e tablet, e tipifica a cessão de conta laranja para fraudes eletrônicas. O texto teve origem no PL 3.780/2023, do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), e tramitou por quase três anos no Congresso. O veto presidencial mirou exatamente o trecho que elevava de sete para 16 anos a pena mínima do roubo qualificado com lesão corporal grave, sob o argumento técnico de que a punição ficaria acima do mínimo do homicídio qualificado. A correção institucional dessa simetria é uma discussão legítima, mas é discussão do Congresso, não do Executivo. Tirar do texto, com canetada presidencial, justamente a punição mais dura para quem usa violência contra a vítima é a forma menos defensável de exercer o veto. (Senado Federal)
Amazonas elege governador a portas fechadas e Wilson Lima vira o jogo no estado horas antes do prazo de desincompatibilização. Roberto Cidade (União Brasil), presidente da Assembleia Legislativa, foi escolhido nesta segunda em votação aberta dos 24 deputados estaduais para concluir o mandato de governador até janeiro de 2027. Posse no fim da tarde, com Serafim Corrêa (PSB) eleito vice-governador também por via indireta. A vaga ficou aberta em 5 de abril, quando o ex-governador Wilson Lima e o vice Tadeu de Souza renunciaram às 23h, uma hora antes do fim do prazo de desincompatibilização, para liberar Lima a disputar uma cadeira no Senado em outubro. É a primeira vez na história do Amazonas que o governo do estado é entregue por escolha de 24 deputados em vez dos 2,7 milhões de eleitores. Vale o registro. A manobra de Wilson Lima, sair sob protesto na 23h59 do prazo legal para se candidatar a outro cargo no mesmo ano da própria sucessão, é o tipo de truque institucional que faz o brasileiro médio perder a paciência com a política. E entregar a chefia do Executivo estadual a portas fechadas, ainda que dentro da regra constitucional local, é mais um lembrete de que partido nenhum, à esquerda ou à direita, ataca de fato o sistema do Centrão. Quando convém, todos cabem nele. (Agência Brasil)
Alckmin confirma que Lula já procura novo nome para o Supremo, e Alcolumbre sinaliza adiar a sabatina para depois das eleições. O vice-presidente disse nesta segunda em coletiva que o Planalto trabalha para definir um substituto à indicação de Jorge Messias rejeitada pelo Senado na semana passada, lamentando o resultado e classificando a Corte como "sobrecarregada" com dez ministros. No mesmo dia, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deu o recado paralelo a líderes da oposição, via Carlos Portinho do PL: pretende esperar o desfecho das urnas em outubro antes de pautar qualquer novo nome. A vaga deixada por Roberto Barroso completa, em 11 de novembro, um ano em aberto. O canal mantém a régua. O problema não é Messias pessoalmente nem qualquer alternativa que Lula vier a apresentar agora. O problema é que uma cadeira no Supremo virou moeda de troca aberta entre o Palácio, o Senado e quem mais conseguir se sentar à mesa do toma lá dá cá. Em 2026, com até quatro vagas potencialmente em jogo nos próximos quatro anos por aposentadoria compulsória, o vencedor da eleição vai redesenhar a Corte por escolha pessoal e voto secreto. Quem fala a sério em reforma do Judiciário começa pela escolha dos ministros, antes de qualquer outra coisa. (GPS Brasília)
Lula vai a Washington na quarta para se reunir com Trump na quinta-feira em meio à hemorragia política em casa. A viagem confirmada nesta segunda pelo Itamaraty e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin coloca o presidente brasileiro na Casa Branca em 7 de maio, com pauta que envolve revisão das tarifas americanas sobre exportações brasileiras, terras raras, classificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelo governo Trump, e a reforma do Conselho de Segurança da ONU. O encontro vinha sendo costurado desde a ligação telefônica de janeiro de 2026 e foi adiado duas vezes por causa da escalada militar no Oriente Médio. O detalhe que o canal não pode deixar passar. Lula passou todo o ano de 2025 transformando Trump em vilão de palanque, e o próprio Planalto chegou a retirar credenciais de agente americano em retaliação à expulsão do delegado que prendeu o foragido Alexandre Ramagem em Orlando. Agora o discurso de soberania de microfone presidencial vai precisar caber no aperto de mão de quinta-feira. Nem o eleitor que aplaudiu o palanque tem obrigação de aplaudir a foto, nem o que apostou na crise diplomática total tem por que comemorar a dobradinha de gabinete. Vale a observação de quem está fora dos dois polos. (Movimento Econômico)
Polícia Federal monta força-tarefa para fechar lista de autoridades com foro privilegiado no caso Master a pedido do relator no STF. O ministro André Mendonça cobrou da Polícia Federal a relação completa de deputados, senadores, governador e ministros da própria Corte que aparecem nos documentos do inquérito do Banco Master, coberto por esta newsletter desde a edição de estreia. O inquérito principal expira em 18 de maio, e a corporação já avisou que vai pedir prorrogação por causa do interesse formal de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, em fechar delação na semana passada. O ponto incômodo é a régua que o relator está usando. A lista vai servir para Mendonça decidir o que sobe para o Supremo e o que desce para a primeira instância. Por experiência recente, sabe-se o que acontece com o inquérito que se fragmenta em vinte mãos. Vai sumindo aos pedaços. Quem quer o caso Master investigado a sério até o fim torce para que o relator entenda exatamente isso e mantenha o conjunto sob a mesma régua, em vez de espalhar o processo para reduzir o estrago político na cúpula. (CNN Brasil)
Magno Malta diz que renuncia ao mandato se imagens do hospital mostrarem o tapa, e sindicatos de enfermagem repudiam o senador. Uma técnica de enfermagem registrou boletim de ocorrência na quinta-feira, 30 de abril, contra o senador Magno Malta (PL-ES) por agressão durante exame de angiotomografia no Hospital DF Star, em Brasília. Segundo a profissional, o parlamentar deu um tapa no rosto dela depois que o equipamento detectou oclusão na injeção de contraste, chamou-a de "imunda" e "incompetente", e entortou os óculos da vítima. Em nota neste sábado, o senador alegou ter reagido apenas à dor do extravasamento do contraste, prometeu renunciar ao mandato se as câmeras do hospital comprovarem o tapa e registrou contra-ocorrência contra a profissional. O sindicato dos enfermeiros do DF e o Conselho Regional de Enfermagem se manifestaram nesta segunda-feira repudiando o caso. O canal vai esperar as imagens, mas vale registrar a régua. O que vier a ser apurado lá vale igual para qualquer parlamentar de qualquer partido. Foro privilegiado não pode virar carteirada para humilhar técnica de plantão num exame que correu mal. (O Hoje)

