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O Supremo dá 48 horas para sete tribunais explicarem salários acima do teto, o senador vai a Washington defender o país e atacar Lula ao mesmo tempo, o Senado empilha R$ 215 bilhões em pautas de impacto fiscal na véspera do recesso e a família Bolsonaro multiplica candidaturas enquanto a terceira via marca convenção.

Três ministros do STF deram 48 horas para sete tribunais de justiça explicarem por que magistrados receberam até quase meio milhão de reais em um único mês, acima do teto que o próprio Supremo fixou em março. Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin assinaram nesta segunda despachos quase idênticos contra os tribunais do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia. O teto constitucional gira em torno de R$ 46 mil, e a decisão do Supremo em março permitia, no limite e sob condições, chegar a cerca de R$ 78,8 mil somando verbas. Uma reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que 616 juízes e desembargadores passaram desse limite em maio, com o topo em R$ 495 mil para uma juíza do Distrito Federal, e a CNN Brasil apontou casos acima de R$ 1 milhão. O truque é conhecido. Verba que o Supremo cortou volta com outro nome por resolução administrativa, e o dinheiro continua caindo na conta. A posição do canal é direta. Esse é o andar de cima da magistratura driblando uma decisão da própria Corte, e a cobrança precisa alcançar também o STF, que semanas atrás afrouxou a regra ao liberar a conversão de plantões em dinheiro. Teto que só vale quando um ministro manda ofício não é teto, é sugestão. (Folha de S.Paulo e STF)

O senador Flávio Bolsonaro desembarcou em Washington e fala nesta terça em uma audiência do governo americano que decide, até 15 de julho, se aplica uma tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros. O pré-candidato à Presidência terá cerca de cinco minutos em um dos painéis do USTR, o escritório de comércio que conduz a investigação contra o Brasil. Ele já entregou um documento de 86 páginas pedindo a suspensão da tarifa e a retirada do Pix da mesa, e sustenta que a sobretaxa acabaria fortalecendo Lula. O governo classificou a viagem como entreguismo e mandou apenas um observador, sem direito a falar. Do outro lado, o Planalto explora o episódio para lembrar que Flávio agradeceu a Trump no tarifaço de 2025 e esteve na Casa Branca pouco antes desta nova ameaça, quando pediu para classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. A régua vale para os dois. Uma tarifa de 25% é risco real para exportador, indústria e emprego brasileiro, e mesmo assim virou palco. Um pré-candidato leva a negociação comercial do país para o terreno do adversário em ano eleitoral, e o governo que deveria estar sentado à mesa prefere a plateia. Quem defende o Brasil defende na mesa técnica, não no microfone da campanha. (Correio Braziliense)

Faltando duas semanas para o recesso, o Senado empilhou projetos que somam cerca de R$ 215 bilhões em impacto fiscal, e a PEC que acaba com a escala 6x1 continua parada nas mãos de Davi Alcolumbre. Alcolumbre reúne os líderes nesta terça para tratar do calendário e segue sem marcar data, com a justificativa de que o texto precisa passar antes pela Comissão de Constituição e Justiça. No meio dessa pilha estão a renegociação de dívidas rurais com dinheiro do Fundo Social do pré-sal, calculada em R$ 140 bilhões em dez anos, o novo piso de médicos com impacto de R$ 47 bilhões e a aposentadoria diferenciada de agentes de saúde, que amplia o rombo previdenciário em R$ 27 bilhões. A equipe econômica pediu para segurar as votações e não conseguiu. A posição aqui não muda conforme o autor da despesa. A Casa que se apresenta como fiadora do equilíbrio fiscal aprova conta bilionária a três meses da eleição e ao mesmo tempo trava a única medida de apelo popular por causa de uma briga de bastidor com o Planalto. O governo transformou a redução da jornada em bandeira de campanha e o Senado transformou o recesso em desculpa. Pauta séria se decide por mérito e por custo, não pelo calendário das convenções. (Poder360 e Metrópoles)

Jair Renan Bolsonaro anunciou no domingo que quer uma vaga na Câmara por Santa Catarina, o mesmo estado para onde Carlos Bolsonaro transferiu o domicílio de olho no Senado, e a disputa por espaço já racha o diretório do PL local. O vereador de Balneário Camboriú apresentou a pré-candidatura como o cumprimento de uma missão dada pelo pai e vinculou a caminhada à campanha do irmão Flávio, pré-candidato à Presidência com convenção marcada para 25 de julho. Vale a precisão jurídica. Jair Renan tornou-se réu em 2024 por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e uso de documento falso, e o Superior Tribunal de Justiça trancou a ação penal em fevereiro deste ano, segundo o Correio Braziliense. Enquanto o sobrenome se multiplica em candidaturas, a terceira via se mexe. O Partido Missão marcou em São Paulo a convenção que vai lançar Renan Santos à Presidência, nome que cresceu nas pesquisas recentes e passou a aparecer à frente de Romeu Zema e Ronaldo Caiado, puxando parte do eleitor que vota na direita por rejeição ao PT e não tem fidelidade à família Bolsonaro. É justo registrar o outro lado do dado. Analistas ainda tratam a candidatura de Renan Santos mais como projeto de consolidação de um partido novo do que como aposta com chance real neste ciclo. A direita chega a 2026 dividida entre repetir a herança de um sobrenome e apostar em quem ainda precisa provar tamanho, e o eleitor reformista é quem vai decidir qual das duas coisas vale mais a pena. (Correio Braziliense e CNN Brasil)

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