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Enquanto o Fórum de Lisboa reúne a elite dos Três Poderes em Portugal, Lula reinsiste em Messias, a esquerda corre à PGR contra Flávio e o Paraná revive a briga de 2018.

A elite dos Três Poderes desembarcou em Lisboa nesta segunda para o fórum de Gilmar Mendes, com inscrição de até R$ 1.320 e a sombra do caso Master no ar. O 14º Fórum de Lisboa, apelidado nos bastidores de Gilmarpalooza, começa hoje e vai até quarta reunindo ministros do STF como Alexandre de Moraes e Flávio Dino, o procurador-geral Paulo Gonet, o presidente da Câmara Hugo Motta e o presidente do Banco Central Gabriel Galípolo, num evento privado tocado pelo instituto do próprio Gilmar. O problema não é magistrado debater ideia, é a mistura entre o público e o privado, porque ministro que julga empresa de manhã não deveria dividir painel e jantar com patrocinador à noite, ainda mais quando reportagens apontam que Daniel Vorcaro, dono do Master e preso desde o ano passado, já bancou despesas de autoridades em edições anteriores do encontro. A cinco meses da eleição, e com Edson Fachin tentando emplacar um código de ética no Supremo, a cúpula da República inteira atravessa o Atlântico para uma feira de relacionamento enquanto o brasileiro comum paga a conta e espera na fila do posto. Networking de toga em hotel de Lisboa não é jurisdição, é o sistema cuidando de si mesmo. (O Tempo)

Lula confirmou que vai mandar de novo o nome de Jorge Messias ao Senado para a vaga no STF, um mês depois de o nome ter sido rejeitado. A declaração veio na sexta, durante visita à fábrica de fertilizantes da Petrobras em Sergipe, e o presidente disse que Messias caiu por motivo político e não técnico, e que o Senado não pode derrotar indicado só "por derrotar". A régua deste canal não mudou desde que o caso começou. O problema nunca foi o Messias em si, é uma cadeira vitalícia no Supremo virar peça de barganha entre Palácio e Senado, com o presidente reapresentando o mesmo nome rejeitado em vez de discutir como o país escolhe quem vai vestir a toga. Insistir na pessoa não conserta o método, e é o método que está podre. (Agência Brasil)

Deputados do PSOL e da Rede levaram à PGR os encontros de Flávio Bolsonaro com Trump e Rubio e pediram que ele seja investigado por atentado à soberania. A representação, protocolada no fim de semana, sustenta que o senador e pré-candidato à Presidência não tinha legitimidade para pedir a um governo estrangeiro a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas, medida anunciada por Washington na semana passada. Aqui a régua corta para os dois lados. Pré-candidato que vai a Washington pedir selo de terrorista para um problema que é nosso está terceirizando soberania e fazendo palanque com bandeira dos outros, e isso merece cobrança. Só que transformar conversa política em crime contra a soberania por representação de bancada governista, a cinco meses da urna, também é usar a Justiça para fritar adversário. Pedido na PGR não é condenação, é mais um capítulo de uma campanha que começou antes da hora. (Poder360)

Gleisi chamou Sergio Moro de "juiz ladrão" num ato em Curitiba, um dia depois de Moro lançar a pré-candidatura ao governo do Paraná ao lado de Flávio Bolsonaro e Deltan Dallagnol. No sábado a deputada do PT subiu o tom no lançamento da chapa de Requião Filho e disse que a esquerda vai derrotar "a extrema direita no Brasil e o juiz ladrão no Paraná", e Moro respondeu no domingo prometendo barrar o avanço do PT no estado. É 2018 rodando de novo em 2026. De um lado, o PT tratando como ladrão um senador que não tem condenação e cuja sentença contra Lula foi anulada pelo próprio STF, jogando a palavra antes da prova como sempre fez. Do outro, Moro reanimando o palanque do lavajatismo colado no bolsonarismo, como se a Lava Jato tivesse acabado bem para alguém. O Paraná virou museu vivo da briga que travou o país, e o eleitor de 18 a 35 anos continua esperando alguém que não esteja preso a 2018. (Poder360)

A Receita e o Ministério Público de São Paulo miraram seis fintechs que teriam movimentado quase R$ 26 bilhões como banco paralelo do PCC no setor de combustíveis. A Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Carbono Oculto, cumpriu 59 mandados em cinco estados e expôs a facção usando plataformas de pagamento, contas-bolsão e até fundos de investimento para lavar dinheiro e adulterar combustível, com a chamada máfia do nafta no meio do esquema. É exatamente aqui que mora a resposta séria ao crime organizado, e não no selo de terrorista importado de Washington que este canal já criticou na semana passada. Facção não quebra com discurso nem com foto, quebra quando a Receita rastreia o caixa, a fronteira é controlada e o dinheiro seca. Enquanto a cúpula está em Lisboa e os pré-candidatos estão no palanque, são o auditor e o promotor que estão fazendo o trabalho que de fato importa. (Exame)

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