This website uses cookies

Read our Privacy policy and Terms of use for more information.

Em 24 horas o senador admite que visitou o banqueiro em prisão domiciliar, a AtlasIntel mostra 6 pontos de queda, o PL corre ao TSE para suspender a pesquisa, Pacheco recusa Minas e Motta descarta de novo a CPI do Master.

Flávio Bolsonaro confessa em coletiva que visitou Daniel Vorcaro na mansão dele em São Paulo enquanto o banqueiro estava de tornozeleira eletrônica. Depois de reunião com a bancada do PL em Brasília nesta terça, o senador confirmou aos jornalistas que esteve com o sócio-fundador do Banco Master em São Paulo no fim de 2025, depois da primeira prisão da Operação Compliance Zero, quando Vorcaro cumpria medidas cautelares com monitoramento eletrônico, proibição de contato com os demais investigados e restrição de saída do município. Pela versão do parlamentar, a visita serviu para "botar um ponto final" no filme Dark Horse. Vale revisitar a sequência de versões do próprio Flávio sobre o caso desde a publicação do Intercept em 13 de maio. Primeiro foi "é mentira", horas depois virou "tudo bem, teve um áudio, era só filho pedindo patrocínio", em seguida apareceu o aviso de que "pode ser que vazem uns videozinhos", e nesta terça veio a confissão da visita pessoal a um investigado em prisão domiciliar com vedação expressa de contato externo. O canal não está aqui para condenar antes do contraditório, e não condena. Mas quatro versões em sete dias sobre o mesmo fato são patrimônio público do eleitor de 18 a 35 anos, que tem o direito de avaliar antes de outubro o que significa começar a campanha presidencial admitindo encontro reservado com banqueiro alvo da maior fraude bancária recente do país, em descumprimento provável de medida judicial que o próprio STF havia decretado. (Correio Braziliense)

AtlasIntel mostra Flávio caindo 6 pontos no segundo turno depois do áudio de Vorcaro e o PL corre ao TSE para tentar suspender a divulgação da pesquisa. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta terça mostra Lula com 48,9% contra 41,8% de Flávio em segundo turno, depois de mais de três meses de empate técnico até abril. O instituto entrevistou 5.032 eleitores entre 13 e 18 de maio, justamente a janela em que o Intercept publicou o áudio. Para 45,1% dos entrevistados a candidatura ficou muito enfraquecida, e 95,6% souberam do vazamento. A reação imediata do PL foi protocolar no TSE pedido de liminar para suspender a divulgação, alegando que a pesquisa teria exibido o áudio aos entrevistados e induzido as respostas. O CEO da Atlas, Andrei Roman, respondeu que o áudio foi reproduzido apenas depois de fechado o questionário sobre intenção de voto. Quem se diz vítima do sistema vai ao mesmo tribunal que chamava de inimigo para tentar barrar uma pesquisa registrada com metodologia pública. É o oposto da coerência institucional que o eleitor cobra de quem se apresenta como antítese do sistema. (Poder360, com dados da AtlasIntel/Bloomberg)

O presidente do PT confirma que Rodrigo Pacheco não disputa o governo de Minas e Lula perde o palanque que tinha desenhado para o segundo maior colégio eleitoral. Edinho Silva afirmou em entrevista ao Warren Investimentos nesta terça que o senador optou por não disputar o governo mineiro, e que o PT vai reabrir conversa com outras lideranças. Pacheco trocou de PSD para PSB justamente para viabilizar essa candidatura e, sem a vaga no STF que perdeu para Messias na sabatina de abril coberta na edição #0007, sinaliza agora interesse em ir para o TCU. Sem Pacheco, o nome competitivo de Lula em Minas é Alexandre Kalil pelo PDT, que perdeu para Zema no primeiro turno de 2022 com larga margem. Lula investiu cargos, articulação partidária e capital político numa candidatura que jamais saiu do papel, e agora descobre que a ausência de Pacheco no Supremo virou ausência também na disputa estadual. Vale o registro fora da disputa partidária. Quem prometia "frente democrática" para 2026 está terceirizando para terceiros o protagonismo de Minas, o que diz menos sobre Pacheco e mais sobre a capacidade de mobilização do petismo no estado que decidiu a eleição em 2014, 2018 e 2022. (Tribuna de Minas)

Hugo Motta volta a descartar a instalação da CPI do Banco Master, com sete pedidos protocolados e o regimento da Câmara segurando todos pela ordem cronológica. Em conversa com jornalistas antes de abrir o plenário desta terça, o presidente da Câmara afirmou que "os órgãos estão trabalhando, o STF, a Polícia Federal, o Ministério Público" e que está "cumprindo o regimento". A regra interna limita a cinco CPIs simultâneas, e Motta usa esse argumento desde fevereiro mesmo quando nenhuma comissão de inquérito está em funcionamento no momento. O caso já acumulou sete pedidos depois da divulgação do áudio entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, e a relatoria do mandado de segurança sobre a abertura da CPI no Senado está no STF com o ministro Kassio Nunes Marques, que recebeu pedido de suspeição por proximidade com Ciro Nogueira. Aqui o canal mantém a régua aberta desde a estreia desta newsletter. O maior escândalo financeiro recente do país, que respinga em ministro do Supremo, em senador da base, em filho do ex-presidente e em diretores do Banco Central, não merece CPI segundo o presidente da Casa que precisa autorizar a instalação. O eleitor cobra explicação simples. Para que serve uma comissão de inquérito se não para investigar esquema que opera ao mesmo tempo dentro do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e do regulador? (ND Mais, com base em apuração de Metrópoles)

A PF deflagra nova fase da Operação Compliance Zero contra perito federal acusado de vazar à imprensa informações sigilosas do caso Master, com mandados autorizados pelo ministro André Mendonça. A ação cumpriu nesta terça dois mandados de busca e apreensão e afastou do cargo o policial federal apontado como autor do vazamento entre dezembro e janeiro, ainda na primeira fase da operação. O Supremo fez questão de afirmar em nota que as medidas "não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa", e que ficam preservadas a liberdade de atuação jornalística e o sigilo da fonte. O canal acompanha o caso Master desde a estreia desta newsletter e mantém a leitura institucional. Perito da própria PF dentro da maior investigação financeira recente do país repassando informação para fora da apuração é gravíssimo e merece a apuração que está em curso. Esse mesmo zelo precisa valer, com a mesma régua, para o relator que decide sozinho desligar a chefia do inquérito do Lulinha coberta na edição passada, e para o ministro do Supremo que conversa com o presidente do Banco Central sobre a liquidação da instituição quebrada antes de a comunicação oficial chegar. Investigação justa apura todos os elos da cadeia, não escolhe qual cabeça preserva e qual derruba. (Correio do Brasil, com apuração da CartaCapital)

Comentários

Avatar

or to participate

Artigos relacionados