A quatro meses das convenções, o herdeiro do bolsonarismo abraça as duas maiores bandeiras sociais do governo que diz combater, o petismo já roda um quartel-general de campanha com a velha guarda, o mercado piora a conta de 2026, a AGU pede para entrar na Justiça americana em defesa de Moraes e o Planalto solta verba ambiental por decreto.
Flávio Bolsonaro sobe ao palco de um fórum em São Paulo e defende o Bolsa Família como "direito adquirido" e a isenção de Imposto de Renda até R$ 5.000, as duas vitrines sociais do governo Lula. O senador e pré-candidato do PL falou nesta segunda no fórum Rumos do Brasil, promovido pela revista Veja, e foi além de defender os dois programas. Ele propôs ampliar o prazo em que o beneficiário continua recebendo o auxílio depois de conseguir emprego formal e disse que existe preconceito contra quem está no programa. O nome construído como a antítese do petismo agora encampa as duas maiores bandeiras assistenciais do adversário e faz isso sem dizer de onde sai o dinheiro. Sobre a isenção do IR, afirmou apenas que com o pai haveria "compensação", sem apontar qual. A mesma exigência de responsabilidade fiscal que esta newsletter cobra do Planalto vale para quem quer substituí-lo. Quando o principal nome da oposição adota a agenda do governo sem fonte de receita, a disputa deixa de ser sobre o rumo do país e vira leilão de quem promete mais. Candidato sério diz o que vai cortar para bancar o que pretende dar. (Poder360)
A pré-campanha de Lula já funciona em ritmo eleitoral, com quartel-general montado na Asa Sul, casa alugada no bairro mais nobre de Brasília para a comunicação e a velha guarda petista batendo ponto. Reportagem desta segunda mostra a estrutura já em operação no edifício Cedro 2, a poucos metros da sede nacional do PT, com nomes como Gilberto Carvalho e Sergio Gabrielli ocupando salas próprias e treze grupos temáticos produzindo um programa de governo que deve sair de 130 para 70 páginas até meados de julho. A equipe de comunicação trabalha em uma casa alugada no Lago Sul, sob o marqueteiro Raul Rabelo, braço do ministro Sidônio Palmeira. Quatro meses antes da convenção, o ocupante do cargo já roda uma operação eleitoral completa, e a linha entre a estrutura do Estado e o comitê de campanha sempre foi a vantagem mais antiga de quem está no poder. Nada disso é ilegal, mas a assimetria entre a máquina de um presidente candidato e a de qualquer adversário merece luz, não naturalização. O mínimo é transparência sobre o que é recurso de campanha e o que é aparato público. (Poder360)
O boletim Prisma Fiscal da Fazenda piorou a previsão de rombo público de 2026 para cerca de R$ 59 bilhões, com a dívida bruta projetada em 83% do PIB. O levantamento que a própria Secretaria de Política Econômica faz junto ao mercado, divulgado nesta segunda, elevou a estimativa de déficit de R$ 57,8 bilhões para R$ 59 bilhões, com a dívida bruta estacionada em um patamar alto. É o pano de fundo concreto das promessas feitas no mesmo dia. De um lado, a oposição oferece isenção de imposto sem origem. Do outro lado, o governo entrega socorros e programas e vê o mercado piorar a leitura das contas. A pergunta que vale para os dois palanques é a mais simples e a mais fugida de todas: qual é a fonte? Sem isso, toda promessa de campanha é apenas um buraco com data marcada para depois da posse. (Poder360)
A AGU decidiu pedir à Justiça dos Estados Unidos autorização para o Brasil atuar na ação que o Rumble e a Trump Media movem contra Alexandre de Moraes, na Flórida. O órgão protocolou nesta segunda à tarde o pedido de intervenção, depois de o presidente do STF, Edson Fachin, autorizar a atuação, com o argumento de que o caso ultrapassa a figura individual do ministro e toca a independência do Judiciário e a soberania nacional. A ação das plataformas nasceu das decisões de Moraes que mandaram derrubar perfis ligados ao bolsonarismo. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo. Submeter decisão da Justiça brasileira ao crivo de um tribunal estrangeiro é um precedente perigoso, e o Estado faz bem em defender essa fronteira. Defender a fronteira, porém, não apaga a crítica legítima às decisões monocráticas e ao excesso de poder de um só ministro, que foi exatamente o que entregou esse enredo de mártir à outra ponta. Soberania sim, cheque em branco para o gabinete de qualquer togado não. (Poder360)
O governo liberou por medida provisória R$ 337,5 milhões para combate a incêndios e desmatamento, com a maior fatia para Ibama e ICMBio às vésperas da estação seca. A MP publicada nesta segunda destina R$ 194,4 milhões ao Ibama e R$ 143,1 milhões ao ICMBio, com cerca de R$ 149,3 milhões reservados para prevenção e controle de queimadas em áreas federais. Proteger a floresta e antecipar o combate ao fogo antes do período crítico é necessário, e o dinheiro é bem-vindo. A ressalva é o método e a hora. Política ambiental que se preze é orçamento planejado e previsível, votado e fiscalizado, não anúncio por decreto que chega no ritmo da pré-campanha e transforma verba essencial em fato político do dia. Quem protege o bioma de verdade não governa o meio ambiente por sobressalto. (Poder360)

