Em um único dia o STF destravou a ação penal contra Eduardo Bolsonaro, a delação do dono do Banco Master ganhou um capítulo só sobre o filme do pai dele, o TSE fechou a porta de Cláudio Castro até 2034, o relatório do tarifaço americano expôs como a Lava Jato foi esvaziada aqui dentro e a terceira via achou um nome.
Moraes liberou para julgamento a ação penal que pode condenar Eduardo Bolsonaro, e a defesa dele alega que o relator não pode julgar. O ministro Alexandre de Moraes mandou incluir em pauta, nesta quarta-feira, a ação penal em que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), autoexilado nos Estados Unidos desde março de 2025, é réu por coação no curso do processo. O caso agora vai a julgamento de mérito na Primeira Turma, formada por Moraes como relator, Flávio Dino, que preside o colegiado e marca a data, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Para a PGR, ele articulou com o governo Trump o tarifaço e a suspensão de vistos de autoridades brasileiras para pressionar quem julgava o pai. Eduardo não compareceu à audiência de abril, teve a revelia decretada e passou a ser defendido pela Defensoria Pública da União, que pediu a anulação de tudo sob o argumento de que Moraes foi uma das vítimas das condutas que agora analisa. Aqui não tem meio-termo para nenhum lado. Usar um governo estrangeiro para taxar o próprio país e tentar salvar a família é exatamente o tipo de conduta que vai cobrar caro de quem nunca pediu tarifa nenhuma. Só que a defesa toca num ponto que não é bolsonarista, é de processo. Quando o ministro que se diz alvo é o mesmo que relata e leva a julgamento, a Justiça fica parecida demais com acerto de contas, e acusação forte merecia tribunal acima de qualquer suspeita. (Poder360)
Vorcaro entregou uma nova delação com um capítulo inteiro sobre o filme de Bolsonaro, R$ 61 milhões ligados a Flávio e o nome de Ciro Nogueira na lista. O banqueiro Daniel Vorcaro, preso preventivamente como apontado líder da maior fraude bancária do país, protocolou nesta semana uma nova proposta de delação premiada depois de a Polícia Federal rejeitar a versão anterior por omissões. Segundo CNN Brasil e Metrópoles, a nova versão abre um capítulo só sobre o Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, e detalha as transferências feitas a partir de pedidos atribuídos ao senador Flávio Bolsonaro. Os comprovantes apontam cerca de R$ 61 milhões já repassados, dentro de uma promessa que chegaria a R$ 134 milhões. A proposta também passa a citar o senador Ciro Nogueira (PP) e, ainda segundo as reportagens, alcança integrantes dos três Poderes, de ministros do governo Lula a nomes da oposição no Congresso. Flávio admite o patrocínio, nega irregularidade e diz que foi um contrato privado com um fundo de investimento. O que a investigação quer saber é se jantar, viagem e dinheiro de filme viraram porta de entrada para destravar recursos públicos a um banco que afundou, levando aposentadoria de gente comum junto. Quem decide se a delação vale é a PF e a PGR, e nós só vamos chamar de crime o que for provado. Mas que um banqueiro preso esteja desenhando a planta de uma cinebiografia que custou mais que muito filme de Hollywood, isso já não cabe mais na conversa de "é tudo privado". (Metrópoles e CNN Brasil)
O TSE manteve Cláudio Castro inelegível por oito anos, e agora é o STF que decide se o Rio terá eleição direta ou indireta. Por cinco votos a dois, o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou os últimos recursos e confirmou a condenação do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), por abuso de poder político e econômico, conduta vedada e captação ilícita nas eleições de 2022. A condenação, de março deste ano, se apoia no uso da Fundação Ceperj e da UERJ para contratar cerca de 27,5 mil temporários às vésperas do pleito, estrutura que o Ministério Público Eleitoral aponta como cabo eleitoral pago com dinheiro do estado. Castro renunciou ao governo na véspera do julgamento original para tentar escapar da cassação do mandato e se viabilizar para o Senado, manobra que o relator Cueva entendeu que impediu a cassação do diploma. O resultado deixa uma pendência grave no colo do Supremo, que vai dizer se o Rio escolhe o sucessor na urna ou se a Assembleia decide por dentro. A leitura do canal é direta. Montar um exército de contratados temporários no ano da eleição com verba pública é a versão mais antiga e mais cara do clientelismo brasileiro, e não importa a sigla. Se o Rio acabar com governador escolhido por acordo de plenário em vez de voto, o estado terá sido punido duas vezes, primeiro pela máquina montada em 2022 e depois pela conta que recai sobre o eleitor. (TSE e CNN Brasil)
O relatório dos EUA que ameaça taxar o Brasil em 25% cita o STF sete vezes e usa a anulação da Lava Jato por Toffoli como prova de que o país afrouxou no combate à corrupção. Já tratamos da ameaça de tarifa em si na edição passada, mas o conteúdo do documento abriu um ângulo novo que um canal de combate à corrupção não pode ignorar. O relatório do USTR, escritório de comércio dos Estados Unidos, menciona o Supremo sete vezes e dedica um trecho inteiro à decisão de Dias Toffoli, de setembro de 2023, que anulou as provas do acordo de leniência da Odebrecht e derrubou mais de cem processos da Lava Jato. O texto cita ainda a renegociação das multas sem transparência e usa avaliações da OCDE e da Transparência Internacional para sustentar que o Brasil falha em punir a corrupção. Em reação, nesta quarta-feira, Lula reuniu ministros, anunciou nova carta a Trump e disse que levará o tema ao G7. Tem hipocrisia dos dois lados da foto. Trump não está preocupado com a Lava Jato, está usando a corrupção brasileira como pretexto para uma tarifa que castiga o agricultor e o operário daqui. Mas dói reconhecer que a parte do diagnóstico não é mentira. Quem desidratou a maior operação anticorrupção da nossa história foi o próprio tribunal que hoje se apresenta como guardião das instituições. Quando até o adversário usa o nosso fracasso como arma, o problema não é só a arma, é o fracasso. (Poder360 e Metrópoles)

Sem Lula e sem Bolsonaro na conta, Renan Santos virou o nome mais lembrado da terceira via e disse que o tarifaço só ajuda os dois polos. A pesquisa Real Time Big Data, divulgada no início da semana e registrada no TSE, trouxe um dado que vale registrar fora da bolha. Renan Santos chegou a 6% das intenções de voto para presidente, empatou com Ronaldo Caiado, alcançou 9% entre os eleitores de 16 a 24 anos e, principalmente, lidera com 26% a percepção de quem é a terceira via, à frente de Romeu Zema e do próprio Caiado. Lula segue na frente em todos os cenários, e os analistas lembram que o desempenho de Renan num eventual segundo turno ainda é o mais frágil, então nada de euforia. Sobre o tarifaço, ele resumiu o que muita gente sentiu, que a confusão alimenta tanto o vitimismo de Lula quanto a vitimização da família Bolsonaro, e os dois ganham palanque com a mesma crise. O ponto que interessa ao leitor cansado é simples. Pela primeira vez em muito tempo, a pergunta "tem alguém fora do eterno Lula contra Bolsonaro" tem um nome que aparece em pesquisa séria, e isso muda a conversa de 2026 mesmo que a largada oficial nem tenha começado. Vale acompanhar com o pé no chão, sem comprar candidato, que é o que esta newsletter faz com todo mundo. (Poder360)

