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Em 72 horas o segundo instituto em uma semana mostra Lula abrindo sobre Flávio, o terceiro partido de centro lança Aécio contra a polarização, a oposição tenta empurrar o fim da escala 6x1 para 2036 e a PGR mantém aberta uma delação que a PF recusou por insuficiência.

Datafolha confirma o impacto do áudio Vorcaro e mostra Lula abrindo quatro pontos sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, com queda de sete pontos do senador entre evangélicos em uma única semana. A pesquisa divulgada nesta sexta foi a campo entre 20 e 22 de maio, ouviu 2.004 eleitores presencialmente e mostra o presidente com 47% contra 43% do pré-candidato do PL no cenário de segundo turno. No levantamento anterior do mesmo instituto, em 16 de maio, os dois apareciam empatados em 45% cada. A leitura mais grave para a pré-campanha do clã está no recorte religioso. O apoio a Flávio entre evangélicos caiu de 49% para 42% em sete dias. Vale a continuidade do arco aberto na edição #0021 desta newsletter, quando a AtlasIntel/Bloomberg apontou queda de seis pontos do mesmo candidato em metodologia digital com 5.032 entrevistados. Dois institutos diferentes, métodos diferentes, mesma semana e mesmo movimento na mesma direção. Isso já não é ruído estatístico. É o áudio do Intercept convertendo em voto, e ainda no patamar de cinco meses antes da urna, sem campanha oficial e sem propaganda na TV. (Gazeta do Povo, com base nos dados do Datafolha)

Cidadania aprova por unanimidade a pré-candidatura de Aécio Neves à Presidência e empurra para esta terça a decisão final da federação PSDB-Cidadania-Solidariedade sobre o nome de centro para 2026. A reunião da executiva nacional do Cidadania foi presidida pelo deputado federal Alex Manente nesta sexta à tarde, menos de 72 horas depois da pesquisa AtlasIntel cobrir Flávio com queda de seis pontos e dois dias antes do plenário da federação confirmar oficialmente o nome em reunião conjunta marcada para 26 de maio. O argumento oficial da legenda é terceira via "centrada em responsabilidade fiscal, fortalecimento das instituições e crescimento sustentável". A leitura editorial desta newsletter é honesta. O canal não está aqui para endossar ou recusar candidatura nenhuma, e a trajetória política de Aécio carrega episódios que dividem a opinião pública desde 2005 e ganharam um capítulo novo com a gravação de Joesley Batista em 2017, embora todas as ações tenham terminado sem condenação criminal. O ponto institucional é outro. Quando o terceiro maior partido do centro político brasileiro sente que a hora chegou para lançar candidato próprio porque o áudio Vorcaro escancarou a fragilidade do polo Bolsonaro, a tese central desta newsletter se confirma com mais um dado. O eleitor de 18 a 35 anos ganha mais uma opção em outubro, e a equação Lula contra Flávio já não é a única na mesa. (Gazeta do Povo)

Marcha para Jesus reúne 300 mil fiéis no Rio sem o pré-candidato do PL, e Silas Malafaia evita declarar apoio, dizendo do palco que "está analisando para se pronunciar na hora certa". Flávio Bolsonaro era aguardado pelos organizadores e cancelou a participação na noite de sexta, segundo nota oficial divulgada pela assessoria do parlamentar, para "ficar em Brasília em reuniões com o pai". A declaração mais relevante do dia, porém, veio do pastor que organizou os atos da Paulista em 2024 e bancou a candidatura presidencial do clã em 2018 e 2022. Do palco da praça da Apoteose, na presença de aliados do PL e de mais de 300 mil pessoas, Silas Malafaia disse não ser "de partido" e estar "analisando tudo que está acontecendo para se pronunciar na hora certa". Em paralelo, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, minimizou o resultado da pesquisa Datafolha em entrevista no próprio evento, dizendo que o impacto "está dentro da margem de erro" e "esperávamos algo ainda maior". Vale a régua institucional do canal. Pastor que organizou atos pró-Bolsonaro durante seis anos, abrindo janela pública para "outro nome" da direita na semana em que dois institutos diferentes apontam queda do candidato, não é gesto de cortesia. É sinal de que a base evangélica que decidiu 2018 e empatou 2022 já está aberta a transferir capital político caso a deterioração nas pesquisas continue. Os 300 mil fiéis ouviram o pastor atacar aborto e ideologia de gênero, mas saíram da Praça da Apoteose sem orientação eleitoral fechada do palco. A primeira vez nos últimos quatro ciclos presidenciais. (Metrópoles, com confirmação cruzada de Folha de S.Paulo)

Deputado do PP do Rio Grande do Sul reúne 176 assinaturas para emenda que adia o fim da escala 6x1 para 2036, condiciona a redução a lei complementar futura e abre brecha para jornada de 52 horas semanais. A Emenda nº 1 à PEC 221/2019 foi protocolada na Câmara por Sérgio Turra na semana passada, e a lista oficial de conferência de assinaturas atualizada em 21 de maio confirma 176 apoios, incluindo cinco deputados de Pernambuco e bancadas do Centrão e da extrema-direita. O texto não vota contra o fim da 6x1 abertamente. Faz coisa diferente. Joga a redução de jornada para 2036, condiciona a aplicação a uma lei complementar que precisará passar de novo pelo Congresso, e abre janela regulamentar para segmentos com jornada de até 52 horas semanais, oito horas acima do teto constitucional atual. A votação do parecer foi adiada para esta segunda na Comissão Especial, com texto previsto para o Plenário em 27 de maio. A régua editorial deste canal é diferente das duas linhas dominantes no debate. O canal não defende a manutenção da escala 6x1 nem aplaude o fim por demagogia eleitoral, e cobra dos dois polos coerência. Quando a oposição que critica "compensação ao setor produtivo" no relatório de Leo Prates apresenta emenda que devolve a discussão à estaca zero, empurra a entrada em vigor para um terceiro mandato presidencial à frente e ainda amplia a jornada legal possível em 18%, o eleitor de 18 a 35 anos tem direito de saber. A votação desta semana não é simples sim ou não sobre escala 6x1. É teste de quem está disposto a aprovar o que entrega e quem está disposto a aprovar o que esconde. (O Estopim, com base na conferência oficial de assinaturas da Câmara)

PGR mantém aberta a negociação da delação de Daniel Vorcaro depois que a PF recusou a proposta por considerar os anexos seletivos e omissos, com divisão interna sobre o ressarcimento de R$ 40 bilhões em dez anos. O caso Master é acompanhado por esta newsletter desde a edição de estreia, e a rejeição da PF foi coberta na edição #0022. A continuação esperada é a posição da Procuradoria-Geral da República, e ela saiu nesta sexta. Mesmo com a PF informando ao gabinete do ministro André Mendonça que os anexos do banqueiro "deixaram de delatar suspeitos já identificados na própria apuração" e "não trouxeram fatos novos", segundo apuração do Correio Braziliense, a PGR não fechou a porta. Dois pontos travam a homologação. O ressarcimento proposto pela defesa é de R$ 40 bilhões ao longo de dez anos, contra os R$ 60 bilhões em prazo menor defendidos pela PF e parte da própria PGR. E o alcance político da colaboração ainda incomoda quem está dentro da negociação, com a CNN Brasil registrando temor de que as ligações conhecidas entre o procurador-geral Paulo Gonet e ministros da Corte travem a entrega de autoridades dos três poderes. Régua institucional do canal aplicada nos dois lados. Quando uma instituição federal de investigação rejeita uma colaboração por considerar o material insuficiente e outra mantém a porta aberta com critério aparentemente mais frouxo na mesma semana e sobre o mesmo réu, o problema não é mais o banqueiro Vorcaro. É o sistema federal de apuração rachado por dentro, no ano eleitoral, em torno do maior escândalo bancário recente do país. (Correio Braziliense, com apuração complementar de CNN Brasil)

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