Em 24 horas a estatal dos Correios anunciou um rombo de R$ 3,2 bilhões, o FMI elogiou a resiliência mas cobrou disciplina fiscal, Minas fez a maior operação de sua história contra as facções e, em Lisboa, Motta e Moraes desenharam as regras da fala.
Os Correios anunciaram prejuízo de R$ 3,16 bilhões só no primeiro trimestre, quase o dobro do mesmo período do ano passado, e o décimo quarto trimestre seguido no vermelho. O balanço divulgado nesta segunda mostra uma estatal que perdeu R$ 8,5 bilhões em 2025, o pior resultado da sua história, e que agora carrega patrimônio líquido negativo de R$ 16,2 bilhões. Para não quebrar, a empresa tomou no ano passado um empréstimo de R$ 12 bilhões com aval da União, ou seja, se não pagar, quem paga é o contribuinte. A régua deste canal vale aqui sem meio-termo. Empresa pública que sangra bilhão atrás de bilhão por catorze trimestres não é vítima de azar, é resultado de gestão e de um modelo que ninguém tem coragem de discutir a sério. O governo vai falar em reestruturação e em provisão trabalhista herdada, e parte disso até é verdade, mas reestruturação que segue dobrando o prejuízo não é plano, é maquiagem. Estatal não existe para dar emprego a apadrinhado nem para servir de cofre de campanha. Existe para entregar serviço e parar de pesar no bolso de quem trabalha. (Poder360)
O FMI elogiou a "notável resiliência" da economia brasileira e projetou crescimento de 2,5%, mas no mesmo papel cobrou mais esforço fiscal para segurar a dívida. A nota saiu nesta segunda, depois de a missão anual do Fundo encerrar os trabalhos na sexta. O chefe da missão, Daniel Leigh, falou em recuperação no início de 2026 e em fortalecimento gradual do crescimento. Aqui a régua corta para os dois lados, como sempre. Quem está na oposição e repete que o Brasil vai virar Venezuela amanhã precisa explicar por que o FMI vê resiliência, juro caindo e reserva adequada. E quem está no governo e quer transformar o tapinha nas costas em propaganda eleitoral precisa ler a outra metade do texto, porque o mesmo Fundo manda manter e ampliar o esforço fiscal e garantir a sustentabilidade da dívida. Resiliência no relatório de Washington não paga a conta dos Correios nem tira da informalidade quase quatro em cada dez trabalhadores. Macro que aguenta tranco é bom, mas não é o mesmo que país arrumado, e confundir as duas coisas é o atalho preferido de quem está em campanha. (Agência Brasil)
Minas Gerais deflagrou a maior operação de segurança pública da sua história contra PCC, Comando Vermelho e Primeiro Comando Puro, com quase 3 mil agentes nas ruas. A Operação Cerco Fechado começou na manhã desta segunda, cumpriu 73 ordens judiciais em 26 territórios de seis municípios e prendeu dezenas de pessoas, com a maioria das prisões já ratificadas pela Justiça. O governador Mateus Simões, que assumiu depois que Romeu Zema deixou o cargo para mirar a corrida presidencial, definiu a ação como esforço de longo prazo para asfixiar as facções financeira e fisicamente. É exatamente esta a posição que o canal vem defendendo. Facção não cai com selo de terrorista importado de Washington, como já dissemos na semana passada, cai quando o Estado integra polícias, sufoca o caixa e disputa o território de verdade. O método está certo. A ressalva também é honesta. Megaoperação recorde anunciada bem no começo da temporada eleitoral, com o ex-governador já de olho no Planalto, precisa entregar resultado que dure depois da urna, e não virar palco de campanha. Segurança séria se mede em seis meses, não em manchete de um dia. (Estado de Minas)
Em Lisboa, Hugo Motta confirmou que a Câmara vai votar a regulamentação da inteligência artificial ainda em junho e disse que responsabilizar plataforma não é censura. A fala foi na abertura do Fórum de Lisboa nesta segunda, e o presidente da Câmara cravou que o relator Aguinaldo Ribeiro entrega o parecer por volta de 9 de junho, com o texto indo a plenário no mês. O projeto, que veio do Senado, organiza o uso da IA por nível de risco. A régua do canal sobre regulação digital não mudou desde o decreto da ANPD que criticamos na semana passada. Regular inteligência artificial é necessário, e ninguém sério quer deepfake fraudando eleição ou golpe automatizado. O problema é o quadro que está sendo montado. Quando a autoridade que define o que é "uso de risco" responde ao mesmo governo, e a tese de que "responsabilidade não é censura" é repetida por quem tem pressa de votar antes do recesso, o eleitor precisa ficar atento. Regra que mexe com o que você pode dizer e ver na internet se faz no Congresso, com debate aberto e a cara à mostra, não no susto e embrulhada em causa nobre. Liberdade quase nunca se perde de uma vez. Costuma ir saindo aos pedaços, sempre por um bom motivo. (Jornal de Brasília)
No mesmo fórum em Lisboa, Alexandre de Moraes falou em "abuso criminoso de pseudo liberdade de expressão", e a escolha das palavras diz muito sobre o momento. O ministro do STF participou nesta segunda do painel sobre democracia, populismo e polarização, num evento que abriu com Gilmar Mendes tratando a regulação de plataformas como condição para preservar o regime democrático. A leitura aqui exige firmeza nos dois lados, e o canal não foge dela. Mentira deliberada, incitação ao ódio e crime organizado na rede não são liberdade de expressão, e quem defende o contrário está confundindo direito com licença para destruir. Até aí, nada a objetar. O incômodo está em quem segura a régua e em como ela é usada. Quando um ministro que decide sozinho bloqueio de perfil e que vê a própria corte ampliar o foro e se blindar de regras que valem para todos passa a definir o que é liberdade "de verdade" e o que é "pseudo", o critério deixa de ser jurídico e vira poder. O mesmo cuidado que cobramos do governo no marco da IA cobramos do Supremo aqui. Decidir quem pode falar é poder demais para caber numa caneta só. (Poder360)

