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Em 24 horas, o Conselho de Ética bate o martelo contra três deputados da oposição, a Operação Unha e Carne entra na quarta fase com mais um deputado estadual algemado e o Congresso blinda os Tribunais de Contas pela Constituição

Conselho de Ética da Câmara aprova suspensão de Zé Trovão, Marcel Pollon e Marcel van Hattem por dois meses pela ocupação da Mesa Diretora em defesa de Bolsonaro. O relator Moses Rodrigues (União-CE) levou nesta terça à votação o parecer que pune os três parlamentares pela obstrução física dos trabalhos da Casa em agosto de 2025, quando deputados da oposição tomaram as cadeiras da presidência por horas em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente. Zé Trovão (PL-SC) chorou na sessão e disse ser "perseguição política", Pollon (PL-MS) classificou como tentativa de "calar quem não se rende", e van Hattem (Novo-RS) comparou o processo ao julgamento do 8 de Janeiro. Vamos separar duas coisas. Ocupar a Mesa Diretora por horas para impor pauta política é, sim, quebra de decoro, e a régua existe para qualquer parlamentar que confunda mandato com palanque. Mas vale a pergunta. O mesmo Conselho de Ética que entrega dois meses de suspensão para parlamentar que segurou microfone de presidente da Casa em agosto vai ter o mesmo apetite para quem aparece em jato de magnata de bets voltando de paraíso fiscal com mala sem raio-X, caso coberto na edição #0008 desta newsletter? A régua só vale quando aplicada igualmente. Caso contrário, é decoro de gaveta. (Gazeta do Povo)

PF prende deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ) na quarta fase da Operação Unha e Carne por fraude milionária na Secretaria de Educação do Rio. A operação foi deflagrada na manhã desta terça com sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão expedidos pelo Supremo, mirando o direcionamento de contratações em escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste, área apontada como reduto político de Rangel em Campos dos Goytacazes. Segundo a apuração da PF, dinheiro público da Seeduc-RJ era empurrado para empresas previamente escolhidas, sacado por intermediários e depois lavado em uma rede de postos de combustíveis administrada pelo suposto líder do esquema. O parlamentar pode responder por organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A operação completa o quadro do que começou na fase anterior, que pegou Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj cassado pelo TSE, e até um desembargador do TRF-2. O Rio de Janeiro entrega de manhã o que entrega de manhã. Deputado estadual algemado, ex-presidente de Assembleia preso e desembargador federal sob investigação pela mesma força-tarefa, Missão Redentor II, que já mapeou conexão direta com o Comando Vermelho. Não é um deslize de gestão pública. É um modelo. E o modelo não foi inventado por Cláudio Castro nem pela atual oposição. Foi construído por décadas, e o eleitor fluminense vai escolher em outubro, mais uma vez, entre as mesmas máquinas que entregaram esse retrato. (Brasil de Fato)

Congresso promulga Emenda Constitucional 139, blinda os Tribunais de Contas contra extinção e inscreve a categoria como "permanente e essencial" na Constituição. A sessão solene desta terça no Senado fechou tramitação da PEC da Essencialidade, originada em 2017 com Eunício Oliveira (MDB-CE), aprovada na Câmara em novembro de 2025 e agora promulgada por Davi Alcolumbre. Pelo novo texto, fica vedada a extinção de qualquer dos 32 tribunais de contas estaduais e municipais existentes hoje no país, e também impedida a criação de novos. O caso de referência citado nos discursos foi a extinção do Tribunal de Contas dos Municípios do Ceará, decretada por emenda à Constituição estadual em 2017 e validada pelo Supremo na época. Vale registrar a posição. Tribunal de contas que funciona é instrumento essencial de fiscalização. Nem é preciso argumentar muito a favor disso. O incômodo é que a mesma classe que aprova por canetada a essencialidade da própria categoria de auditoria é a mesma que pediu, há duas semanas, mais 30 dias para começar a cumprir o limite de penduricalhos imposto pelo Supremo, conforme coberto na edição #0006 desta newsletter. Carimbar na Constituição que o tribunal de contas não pode ser fechado é fácil. Garantir que ele faça, de fato, o que está escrito na função, é outra história. (Senado Federal)

Delação de Vorcaro trava, PF acende alerta e ex-presidente do BRB dispara como primeiro a entregar conteúdo no caso Master. O caso Master, coberto desde a edição de estreia desta newsletter, ganhou nesta terça novo capítulo com sinais cruzados. Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso desde 19 de março, ainda não fechou a proposta de colaboração premiada, e a demora começa a preocupar formalmente os investigadores, segundo apuração de portais econômicos. No mesmo dia, a defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, formalizou pedido de delação ao relator André Mendonça, e veículos especializados apontam que o ex-banco público pode ultrapassar Vorcaro na entrega de conteúdo útil contra autoridades dos Três Poderes. O ponto que importa é só um. A regra do jogo da delação é simples, quem entrega primeiro fato verificável paga menos. Banqueiro que oferece R$ 40 bilhões na mesa e gasta dois meses para escrever o que vai dizer está fazendo cálculo, não está colaborando. Se a PGR aceitar acordo só com base no número da multa e sem amarrar o ressarcimento ao BRB e ao FGC, vai estar repetindo a coreografia que o eleitor brasileiro já conhece de cabeça. Quem rouba muito negocia, quem rouba pouco vai para a Papuda. (Pardal Tech, com base em apurações da PF)

Alckmin confirma que Lula busca consenso para nova indicação ao STF, descarta Pacheco e o presidente chama articuladores de "filhos da p." em conversa com ministros. O vice-presidente disse nesta segunda em São Paulo que o Planalto trabalha para definir um substituto à indicação de Jorge Messias rejeitada pelo Senado em 29 de abril, conforme coberto nas edições #0008 e #0010 desta newsletter. Reportagem do Metrópoles, publicada nesta segunda, revelou que Lula chamou de "filhos da p." quem articulou contra Messias, descartou Rodrigo Pacheco por considerá-lo parte do "acordão" entre Alcolumbre, Alexandre de Moraes e Flávio Bolsonaro, e passou a tratar Bruno Dantas, ministro do TCU, como o nome de menor desgaste. Wellington César, ministro da Justiça, perdeu prestígio na crise e pode ser sacrificado para abrir cargo a Messias como retaliação. Vale lembrar a régua que esta newsletter mantém desde a edição #0005. O problema nunca foi Messias pessoalmente nem qualquer alternativa que vier agora. O problema é que uma cadeira vitalícia no Supremo virou moeda de troca aberta entre Palácio, Senado, ministro de tribunal e oposição em ano eleitoral, com presidente da República xingando articuladores de "filhos da p." pelos corredores em vez de discutir reforma estrutural da escolha de ministros. Trocar nome é cosmética. O método continua o mesmo. (ND Mais, com base em apuração da Folha e do Metrópoles)

Lula assina MP do Novo Desenrola e libera saque de até 20% do FGTS para pagar dívida de cartão, com bloqueio em bets como contrapartida. A Medida Provisória 1.355, assinada na segunda e regulamentada por portaria do Ministério da Fazenda nesta terça, institui o Programa Extraordinário de Reequilíbrio Financeiro das Famílias com duração de 90 dias. As condições incluem desconto de até 90% do valor da dívida, juros máximos de 1,99% ao mês, parcelamento em até 150 vezes e a possibilidade de saque do Fundo de Garantia para abater débitos de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal. Quem aderir fica bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas online. O programa também alcança até 1 milhão de estudantes e 2 milhões de micro e pequenas empresas. O canal mantém a posição registrada na edição #0009. Bets entraram no Brasil sob aval do mesmo Congresso e do mesmo Ministério da Fazenda do governo Lula, regulamentadas pela Lei 14.790, sancionada pelo próprio presidente em dezembro de 2023. Liberar o FGTS para pagar dívida de jogo é trocar a poupança forçada do trabalhador por uma muleta de curto prazo, com o cofre do próprio trabalhador. Governo que precisa lançar pacote de renegociação de cartão de crédito a cinco meses do primeiro turno está dizendo, em código, que perdeu o controle da agenda econômica e está usando a Fazenda como balcão de promoção bancária. (Ministério da Fazenda)

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