Em 24 horas a PF prendeu o pai de Vorcaro e uma delegada que vazava para o grupo, o presidente respondeu ao áudio do Intercept dizendo "é caso de polícia, não meu", e o senador acusou contaminação política
A sexta fase da Compliance Zero prendeu o pai de Daniel Vorcaro e escancarou uma rede de espionagem dentro da própria Polícia Federal. A operação cumpriu na manhã de quinta-feira sete mandados de prisão preventiva e dezessete de busca e apreensão em três estados, autorizados pelo ministro André Mendonça do STF. Henrique Vorcaro, presidente do Grupo Multipar, é apontado como articulador financeiro de grupos batizados pelos investigadores como "A Turma" e "Os Meninos", responsáveis por monitorar adversários, vazar dados sigilosos e atuar como milícia pessoal do dono do Banco Master. A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada do cargo e um agente em atividade foi preso, ambos suspeitos de repassar informações ao grupo, dois aposentados também foram alvo de busca e apreensão. O dia seguinte à reportagem do Intercept entregou exatamente o que a defesa da pré-candidatura presidencial bolsonarista precisaria evitar, ou seja, mais evidência circunstancial de que o ecossistema Vorcaro foi sofisticado o bastante para infiltrar a corporação que investiga o Banco Master. Quanto mais a Compliance Zero avança, menos sustenta o discurso de "patrocínio privado para um filme privado" no qual o senador apostou as fichas. (Agência Brasil)
Em Camaçari, Lula classifica como "caso de polícia" o áudio de Flávio Bolsonaro com o dono do Banco Master. Durante visita à Fafen, fábrica de fertilizantes da Petrobras na região metropolitana de Salvador, o presidente respondeu pela primeira vez à reportagem do Intercept. "Eu não vou comentar. É um caso de polícia, não é meu. Eu não sou policial, eu não sou procurador-geral. O caso dele é de polícia", afirmou. A linha do "eu não me meto" combina mal com o histórico do petismo, que passou quatro anos cobrando pronunciamento imediato do Planalto bolsonarista sobre cada suspeita contra o clã. A régua é a mesma. Quem se vende como antítese do sistema não escolhe a hora em que comenta o sistema, e Lula sabe disso melhor do que ninguém. (Agência Brasil)
Flávio Bolsonaro fala em "contaminação política" e segue defendendo CPI do Master no mesmo dia em que a PF prende seu pai. A poucas horas da operação que prendeu o pai do banqueiro com quem o senador negociou R$ 134 milhões para o filme Dark Horse, o pré-candidato à presidência divulgou nota dizendo que o episódio sofre tentativa de "contaminação política" e cobrando a instalação da CPI do Banco Master para "restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação". O movimento expõe a régua. Quando o caso atinge o Centrão, é oposição. Quando atinge a família, é contaminação. A CPI cujo requerimento está parado há seis meses na gaveta de Davi Alcolumbre virou da véspera para o dia o instrumento de defesa do mesmo grupo que enxergava a comissão como ameaça enquanto o problema era só dos outros. (Metrópoles)
Pesquisa Gerp divulgada nesta quinta tem Flávio com 36% e Lula com 34% no primeiro turno, mas foi a campo antes do áudio do Master. O instituto ouviu duas mil pessoas entre 8 e 12 de maio e publicou os resultados na manhã desta quinta, quando o áudio do Intercept já dominava o noticiário há 24 horas e a sexta fase da Compliance Zero acabava de cumprir mandados em três estados. No primeiro turno, empate técnico dentro da margem de 2,24 pontos. No segundo turno, Flávio venceria Lula por 50% a 43%, e a rejeição do petista chega a 49%. Os números registram o cenário antes do estouro, não o cenário em curso. O ponto que esta newsletter vem registrando desde a estreia continua valendo. Lula e Flávio somam juntos mais do que duas vezes a soma de Ciro Gomes, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Pablo Marçal, e os 13% que sobram para o resto do espectro vão ter que furar essa muralha em menos de cinco meses. (Exame)
Relator confirma que a PEC do fim da escala 6x1 será votada no plenário da Câmara em 26 de maio, com previsão de mais de 450 votos. O deputado Reginaldo Lopes, um dos autores da proposta que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial, fechou cronograma em audiência pública no Palácio do Trabalhador, em São Paulo, nesta quinta. A comissão especial vota no dia 26, o plenário vota no dia 27, e o texto avança na carona do acordo firmado entre o Planalto e Hugo Motta na quarta. Reduzir jornada penosa é pauta legítima e atrasada, mas a velocidade que apareceu agora não apareceu nos quatro anos anteriores. Quem cobra coerência da oposição na anistia precisa cobrar a mesma régua aqui. Direito do trabalhador não é matéria-prima de campanha eleitoral. (Poder360)
Em Camaçari, Lula diz ter "certeza" de que o país vai voltar a ter "uma distribuidora de gasolina outra vez" e ataca a privatização da BR Distribuidora. Em discurso na Fafen-BA, o presidente classificou como erro a venda da BR Distribuidora entre 2019 e 2021 e afirmou que a fragmentação tirou da estatal o poder de "influir nos preços, na distribuição". A movimentação merece registro por dois motivos. Primeiro, sinaliza apetite estatizante a cinco meses da urna num governo que, essa mesma semana, zerou imposto de importação para Shein e AliExpress sem dizer como vai cumprir a meta fiscal de 2026. Segundo, no mesmo discurso, o presidente segue celebrando uma reabertura industrial real, a Fafen-BA, e acena ao agro que importa 90% dos fertilizantes do país. Quem está fora dos dois polos consegue separar a parte boa, redução da dependência externa em insumo estratégico, da parte preocupante, oba-oba estatizante anunciado em palanque com a urna no horizonte. (Brasil 247)

