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Em 72 horas a PF derrubou um esquema de R$ 26 bilhões que respinga num ex-governador do PL, o dinheiro do Master reapareceu financiando o lobby da família Bolsonaro nos Estados Unidos e o Supremo marcou a data para decidir quem escapa da Ficha Limpa.

A Operação Sem Refino mirou o ex-governador Cláudio Castro e bloqueou R$ 52 bilhões do dono da Refit num esquema de sonegação estimado em R$ 26 bilhões. A Polícia Federal cumpriu na sexta-feira 17 mandados de busca e apreensão e sete afastamentos de cargos públicos no Rio, em São Paulo e no Distrito Federal, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. O alvo central é Ricardo Magro, dono da antiga Refinaria de Manguinhos, com prisão preventiva decretada e nome enviado à difusão vermelha da Interpol porque mora em Miami há anos. A régua deste canal vale para todo mundo. Castro renunciou ao governo do Rio em março, na véspera do julgamento que o tornou inelegível, e agora aparece numa investigação sobre um incentivo fiscal que sua gestão concedeu à empresa em 2023. Operação policial em curso autoriza tratar a apuração como fato, não autoriza chamar ninguém de ladrão antes do contraditório. O que incomoda de fora dos dois polos é outra coisa. Moraes assinou tudo isso sozinho, dentro da ADPF das Favelas, uma ação de 2019 sobre letalidade policial em comunidade que virou guarda-chuva para autorizar megaoperação de sonegação bilionária. Cobrar fraude de R$ 26 bilhões é dever do Estado. Concentrar esse poder na caneta de um único ministro, ano após ano, é exatamente o problema institucional que ninguém dos dois lados quer resolver porque um dia a caneta serve aos dois. (Correio Braziliense)

A PF abriu linha de investigação para apurar se o dinheiro do Banco Master bancou o lobby de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, e não o filme que serviu de fachada. O caso é desdobramento direto do áudio que esta newsletter abriu na edição #0017. Os investigadores trabalham com a hipótese de que parte dos R$ 61 milhões pagos por Daniel Vorcaro entre fevereiro e maio de 2025 tenha custeado a permanência do ex-deputado no Texas e a campanha internacional que pressionou o Brasil, incluindo o tarifaço, a revogação de vistos e a Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras. O deputado Lindbergh Farias protocolou notícia de fato pedindo que a PF siga o dinheiro até Flávio, Eduardo, Jair Bolsonaro e o cunhado de Vorcaro. Aqui não cabe condenar quem não foi denunciado. Cabe registrar que a família que se vende como antítese do sistema é a mesma cujo financiador era o dono do banco que quebrou na maior fraude bancária da história recente, e que o eleitor de 18 a 35 anos precisa olhar essa conta com calma antes de outubro. (Poder360)

Documento revelado na sexta mostra Eduardo Bolsonaro como produtor executivo do filme com controle direto do orçamento, o oposto do que ele afirmou um dia antes. O contrato assinado em janeiro de 2024, divulgado pelo Intercept Brasil, atribui ao ex-deputado responsabilidade direta sobre as contas da produção financiada por Vorcaro. Na quinta-feira, Eduardo havia tentado se descolar do projeto. Na sexta, o papel apareceu. O padrão é o mesmo que esta newsletter vem registrando desde a estreia. Primeiro nega rindo, depois muda a versão quando o documento aparece, igual ao senador no áudio do Master. Quem cobra coerência da oposição na anistia precisa cobrar a mesma régua aqui, e quem comprou a ideia de que esse grupo é mais limpo que o adversário está olhando para um contrato que diz outra coisa. (Poder360)

A PF prendeu em Dubai o hacker apontado como integrante da milícia digital de Vorcaro, foragido desde a sexta fase da Compliance Zero. Continuando o que esta newsletter registrou na edição #0018, Victor Lima Sedlmaier, suspeito de integrar o grupo "Os Meninos", foi barrado pelas autoridades dos Emirados Árabes Unidos numa ação com a Interpol e deportado direto para o Brasil, onde teve o mandado de André Mendonça cumprido em Guarulhos no sábado à noite. O grupo é descrito pela investigação como especializado em invasões, derrubada de perfis e monitoramento ilegal a serviço do ex-banqueiro. O recado vale a pena. O ecossistema Vorcaro foi sofisticado o bastante para montar braço digital próprio e tentar sumir para o exterior, e a cooperação internacional funcionou. Quando a instituição persegue investigado fora do país e não troca prisão por delação seletiva, o sistema perde a porta de saída que ele sempre teve. (Poder360)

O Supremo marcou para o período de 22 a 29 de maio o julgamento das mudanças na Ficha Limpa que podem reabilitar Eduardo Cunha, Anthony Garotinho e José Roberto Arruda. A Lei Complementar 219/2025, aprovada pelo Congresso e sancionada com vetos por Lula, antecipou a contagem do prazo de inelegibilidade para a data da condenação, o que na prática encurta o tempo de quarentena de quem foi condenado por improbidade. A Rede questiona a norma, a AGU defende a lei do governo no Supremo e a PGR pede a derrubada parcial de três trechos. Esse é o tipo de matéria que o canal não vai deixar passar como detalhe técnico. Aqui não tem lado bom. O Congresso afrouxou a regra que nasceu de 1,6 milhão de assinaturas populares, o governo bancou esse afrouxamento na AGU, e o resultado pode devolver à urna nomes condenados que o eleitorado já tinha mandado embora. Vale registrar o único ponto de método correto da história, a ministra Cármen Lúcia preferiu levar o caso ao colegiado em vez de decidir sozinha, o oposto do que se viu na Operação Sem Refino. Combate à corrupção que se preze não tem regra elástica nem caneta solitária. (Congresso em Foco)

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