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A cinco meses da urna, todo mundo entrou em campanha, menos quem precisava do Estado só para chegar vivo ao trabalho.

A Câmara aprovou nos dois turnos o fim da escala 6x1 e mandou a PEC das 40 horas para o Senado, tudo no mesmo dia, por 472 votos a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo. Reduzir a jornada de 44 para 40 horas com dois dias de folga, um deles preferencialmente no domingo, é pauta legítima e atrasada, e o trabalhador que vai ganhar a folga não deve desculpa a ninguém. O incômodo não é o mérito, é a coreografia. Deputado governista entrou no plenário de camiseta e adesivo a cinco meses da eleição, a oposição apresentou destaque para esvaziar a transição só para não se comprometer com o eleitor, e ninguém parou para discutir a sério o custo para o pequeno comércio e os quase 40% de brasileiros na informalidade, que não folgam nem aos domingos porque não têm carteira assinada. Só Novo e Missão orientaram contra, com o argumento de que jornada deveria sair de convenção coletiva e não de emenda à Constituição. Votação relâmpago de pauta popular em ano eleitoral não é zelo pelo trabalhador, é fila para a foto, e a conta agora vai para o colo de Davi Alcolumbre no Senado. (Câmara dos Deputados)

Moraes deu cinco dias para a PGR opinar sobre incluir Jair e Flávio Bolsonaro no inquérito que apura a atuação de Eduardo nos Estados Unidos. O pedido, do líder do PT na Câmara Lindbergh Farias, tenta amarrar o dinheiro do Banco Master à campanha internacional da família. A linha é direta: áudios revelados pelo The Intercept mostram Flávio cobrando de Daniel Vorcaro, dono do Master e preso desde março, parte dos cerca de R$ 61 milhões que o banqueiro teria bancado da cinebiografia de Bolsonaro, e a suspeita é que esse dinheiro tenha irrigado o lobby de Eduardo por sanções e tarifas contra o próprio Brasil. Por anos a família se vendeu como a muralha contra a roubalheira do PT, e agora aparece negociando milhões com o maior fraudador do sistema financeiro do país enquanto um filho faz campanha lá fora para punir o Brasil aqui dentro. A régua deste canal é a mesma de sempre: incluir alvo em inquérito é trabalho de investigação, não condenação, e a mania do Supremo de concentrar tudo na mão de um relator continua sendo um problema institucional sério. Mas a régua que vale para o Centrão e para o PT vale igual para os Bolsonaro, e quem senta à mesa com o dono do Master tem muito a explicar. (Agência Brasil)

Lula passou dois dias no Amazonas, anunciou mais de R$ 7 bilhões em investimentos e cravou que a BR-319 vai sair, a estrada que espera asfalto há mais de cinquenta anos. A rodovia liga Manaus a Porto Velho, corta uma das áreas mais sensíveis da Amazônia e trava há décadas no embate entre quem quer integrar a região por terra e quem alerta para o risco de desmatamento. O presidente promete agora a estrada com o maior cuidado ambiental do mundo. O problema não é asfaltar uma via que isola milhões de brasileiros, o problema é o calendário. O mesmo governo que segurou a obra por três anos numa queda de braço entre os próprios ministérios do Meio Ambiente e dos Transportes descobre a urgência da BR-319 a cinco meses da eleição, com senador local no palanque e entrega de casas do Minha Casa Minha Vida na mesma agenda. Obra pública virou santinho, e a pergunta que de fato importa, qual modelo de desenvolvimento a Amazônia aguenta, fica de novo para depois da urna. (Poder360)

Dois pedreiros foram mortos por policiais militares a caminho do trabalho em São Gonçalo, no Rio, e a própria corporação admitiu que teria confundido uma régua de pedreiro com uma arma. Os dois carregavam ferramentas e marmita quando foram alvejados no Jardim Catarina, segundo a comissão de direitos humanos da Assembleia fluminense, e quando familiares e moradores tentaram protestar na BR-101 foram dispersados pela mesma PM com spray de pimenta e bala de borracha. Este canal defende segurança dura contra quem comanda o crime no Rio e não vai mudar de discurso. É justamente por isso que dá para dizer o óbvio: matar trabalhador a caminho da obra não é dureza, é incompetência, e incompetência letal só faz a facção parecer protetora onde o Estado aparece atirando. Política de segurança séria prende chefe do tráfico e protege quem acorda cedo para trabalhar. A do Rio vem fazendo o contrário há anos, de governo em governo, e cobrando o preço sempre dos mesmos. Que as imagens das câmeras corporais sejam divulgadas e que alguém responda. (Agência Brasil)

A primeira pesquisa Indexa do ciclo dá Lula com 39% contra 30% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, e 46% a 41% num eventual segundo turno. O levantamento, registrado no TSE e feito por telefone com 2 mil eleitores entre 22 e 24 de maio, mostra um eleitorado travado: 83% dos eleitores de Lula e 74% dos de Flávio dizem que não mudam mais o voto. O caso Vorcaro pesa, mas não derruba, já que 78% ouviram falar dos áudios e 48% enxergam relação entre os dois, e mesmo assim ficou em 40% a 38% a disputa entre quem acha que Flávio deve seguir candidato e quem acha que deve desistir. É o retrato de um país preso no mesmo cabo de guerra de 2022. Lula não fura os 40% nem com a oposição enrolada em escândalo, e Flávio se sustenta no sobrenome mesmo com o Master batendo na porta. Dois nomes velhos dividindo um eleitorado que, no fundo, já decidiu que não aguenta mais nenhum dos dois. A novidade, em 2026, vai ter que vir de fora desse 39 a 30. (Poder360)

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