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Em 24 horas o Intercept gravou Flávio cobrando o dono do Master, um deputado do MDB quis transformar o Gov.br em fiscal de pornografia e o governo Lula redescobriu o 6x1 a cinco meses da urna

Áudio obtido pelo Intercept Brasil mostra Flávio Bolsonaro cobrando R$ 134 milhões do dono do Banco Master. A reportagem publicada nesta quarta revela mensagens, comprovantes e uma gravação em que o senador e pré-candidato do PL pede a Daniel Vorcaro o saldo de um patrocínio para o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Pelo menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo nos Estados Unidos ligado a um aliado de Eduardo Bolsonaro, e a última mensagem amistosa de Flávio ao banqueiro, "irmão, estou e estarei contigo sempre", saiu um dia antes de Vorcaro ser preso na investigação sobre a maior fraude bancária da história do país. Questionado pela manhã, o senador disse que era mentira e riu. À tarde, gravou um vídeo confirmando a conversa e a classificando como um filho atrás de patrocínio privado, sem dinheiro público. A régua deste canal vale aqui igual valeu para o Centrão no caso Master, para o PT na corrida pela dosimetria e para o tucano da Operação Castratio. Não cabe declarar culpado quem não foi condenado. Cabe registrar que o homem que passou meses chamando o Master de roubalheira que dá nojo no país é o mesmo que negociava milhões com o dono do banco e mudou de versão sobre isso no intervalo de poucas horas. O eleitor de 18 a 35 anos que comprou a ideia da família Bolsonaro como antítese do sistema precisa olhar com calma para o que está gravado. (Intercept Brasil)

Análise PTL: o token do Gov.br para acessar site adulto é vigilância estatal vendida como proteção infantil. Em artigo publicado ontem no site, o canal desmonta o PL 2201/2026, do deputado Fábio Teruel (MDB-SP), que quer obrigar o cidadão a gerar uma autorização na plataforma Gov.br toda vez que for ver pornografia. O projeto se apoia na Prova de Conhecimento Zero para dizer que o site não saberá quem é o usuário, mas esconde o óbvio. Para o token existir, o servidor do governo precisa autenticar o CPF, e isso vira um mapa de quando e com que frequência cada adulto acessa esse conteúdo, guardado no mesmo Estado que, três semanas antes do projeto, viu 251 milhões de CPFs à venda na dark web. A pauta de proteger crianças é legítima, e o caminho já existe: controle parental nativo de celular e responsabilidade dos pais. O que não dá é trocar isso por um banco de metadados íntimos em mão estatal, poder que, uma vez concedido, não se devolve. E vale o registro da hipocrisia que atravessa o espectro. O mesmo Congresso, preocupadíssimo com adultos vendo pornografia, é o que assiste de camarote à enxurrada de bets patrocinando futebol em horário nobre. Bets dão dinheiro de campanha. Token de maioridade dá narrativa de campanha. (Paciência Tem Limite!)

Governo Lula e Hugo Motta fecham acordo para destravar a PEC do fim da escala 6x1. O anúncio saiu nesta quarta, depois de reunião na residência oficial da Câmara, e prevê jornada máxima de 40 horas semanais, dois dias de folga e manutenção dos salários, com a proposta saindo da comissão especial rumo ao plenário ainda em maio. O fim da escala 6x1 é pauta justa, e o trabalhador que encara seis dias seguidos para um de descanso merece o debate. O incômodo é o calendário. O acordo aparece a menos de cinco meses da eleição, depois de meses de desgaste do Planalto com Motta e Alcolumbre, e logo na sequência de uma fila de derrotas do governo no Congresso. Direito de quem trabalha não pode virar moeda de recomposição de palanque. Se a pauta é boa agora, ela era boa também em 2023, em 2024 e em 2025, quando o tema não rendia voto na mesma proporção. (Poder360)

Depois do áudio, base governista e oposição passam a disputar a CPI do Master que travou por seis meses no Senado. A revelação do Intercept reacendeu na sessão do plenário desta quarta o debate sobre a comissão de inquérito, e o quadro é revelador. O líder da maioria, Arlindo Chinaglia, cobrou que Flávio devolvesse o dinheiro. O líder da oposição, Cabo Gilberto Silva, disse não ver nada de ilegal. E o próprio Flávio Bolsonaro, alvo da reportagem, agora defende a instalação da CPI. Lideranças de PT, PCdoB e PSOL anunciaram pedido de quebra de sigilo do senador, enquanto o presidente do PT admitiu que o partido errou ao não assinar o requerimento original da oposição. A leitura de quem está fora dos dois polos é direta. O requerimento da CPI do Master tem 53 assinaturas e está parado na gaveta de Davi Alcolumbre desde novembro. Governo e oposição não passaram seis meses brigando para investigar o banco. Passaram-se seis meses calculando quem sairia mais sujo. Agora que o áudio decidiu a conta, os dois lados correm para transformar a comissão em palco de campanha. Investigar o rombo deixou de ser dever institucional e virou disputa de narrativa eleitoral. (Agência Câmara)

Cúpula do PL avalia tirar Eduardo Bolsonaro da chapa ao Senado em São Paulo por risco da Ficha Limpa. A direção do partido discutiu nesta quarta a possibilidade de retirar o ex-deputado da primeira suplência de André do Prado, depois que a PGR pediu na segunda a condenação dele por coação no curso do processo. Uma condenação em órgão colegiado aciona a Lei da Ficha Limpa, torna Eduardo inelegível e abre caminho para a impugnação da chapa registrada na edição #0013 desta newsletter. O personagem é o mesmo de sempre. Eduardo Bolsonaro mora nos Estados Unidos desde 2025, perdeu o mandato de deputado por faltas em dezembro, é defendido pela Defensoria Pública da União porque não constituiu advogado, e ainda assim foi encaixado numa vaga de Senado por São Paulo com o aval de Tarcísio e a articulação de Valdemar Costa Neto. O recado da montagem segue valendo. A direita que se vende como reformista entregou ao maior colégio eleitoral do país uma engenharia eleitoral que agora ameaça desabar sozinha, por um problema jurídico que existia desde o primeiro dia. (Revista Fórum, com base em apuração de O Globo)

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